O assistente pessoal do príncipe Carlos, herdeiro do trono britânico, demitiu-se ontem após a divulgação de um relatório interno sobre a administração da Casa Real no qual era acusado de aceitar e vender indevidamente presentes oficiais da realeza.
A comissão de inquérito a quem competiu elaborar o relatório foi chefiada por Michael Peat, secretário de Carlos, que terá insistido na necessidade de banir Michael Fawcett, assistente pessoal de Carlos que agora abandona a Casa Real.
Segundo o relatório, Fawcett aceitou inúmeras prendas, entre elas um relógio com valor estimado em 2500 libras, e colaborou na venda de ofertas feitas ao príncipe Carlos e não desejadas por este, sendo os seus serviços pagos com uma percentagem das vendas.
Apesar da denúncia de procedimentos menos correctos, Fawcett foi ilibado de qualquer apropriação indevida de bens.
Fontes do Palácio de St. James, residência do príncipe Carlos, asseguram que Fawcett continuará a servir Carlos na qualidade de assessor externo. O próprio príncipe herdeiro – actualmente de visita à Bulgária – salientou, em comunicado, os bons serviços prestados pelo seu assistente, pelos quais se afirma “imensamente agradecido”.
OBJECTIVOS DO RELATÓRIO
Saliente-se que o inquérito agora publicado foi a resposta da Casa Real ao escândalo do julgamento de Paul Burrell, antigo mordomo da princesa Diana. Burrel foi a tribunal por alegado roubo de bens da princesa após a morte desta, em 1997, e foi ilibado depois de a rainha Isabel II afirmar que Burrel lhe comunicara cinco anos antes ter ficado com os bens à sua guarda.
Destaque para o facto de o inquérito ter visado esclarecer quatro assuntos principais: a venda de prendas oficiais; a aceitação de prendas por parte dos mordomos e criados da Casa Real; a intervenção indevida de pessoal ao serviço de Carlos no julgamento de Burrell e, por fim, se uma alegada tentativa de violação de um mordomo foi ocultada em 1996.
Sobre este último assunto, o relatório é bastante crítico, salientando que a averiguação do caso foi conduzida com displicência. De facto, o mordomo George Smith afirmou ter sido violado por um colega em 1989 e a resposta de Carlos, após investigação conduzida em 1996, foi a de insistir na demissão da alegada vítima.
O relatório, considerado pelos críticos uma tentativa de branqueamento, concluiu o seguinte: 1.º não há registos adequados das prendas concedidas ao príncipe, 19 das quais desapareceram; 2.º Carlos vendeu presentes não desejados para financiar obras de beneficência; 3.º deu aos seus empregados algumas das prendas; 4.º sete presentes pessoais foram vendidos ou trocados; 5.º os mordomos aceitaram prendas e outras formas de pagamento por parte de visitantes do palácio, apesar de os regulamentos o proibirem.
Os críticos consideram insuficientes estas conclusões, salientando, por exemplo, que o inquérito não esclarece o motivo de a rainha não ter divulgado mais cedo a informação que poderia ilibar Burrel e evitar o julgamento.
UM INQUÉRITO SEM SENTIDO?
Um inquérito interno à administração da Casa Real, conduzido pelo secretário pessoal do príncipe Carlos, Michael Peat, deixou intrigado Paul Burell. O antigo mordomo de Diana, ilibado no ano passado da acusação de roubo de bens da princesa, afirmou-se surpreendido com as referências às prendas dos empregados. “É uma forma de remuneração tão velha como a monarquia, que visa compensar os vencimentos modestos dos mordomos”, afirmou.
Esta perspectiva não é partilhada por Ian Davidson. O deputado do Partido Trabalhista afirmou à BBC que a venda de presentes equivale com frequência a uma alienação de bens dos contribuintes. Salientou, além disso, que a família real é uma das mais ricas do mundo, pelo que não se justifica o alegado mau pagamento dos empregados.
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