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PRÍNCIPE FELIPE REFORÇA RELAÇÕES BILATERAIS

O príncipe das Astúrias, Felipe de Borbón, deu ontem início ao primeiro de três dias de visita oficial ao nosso país, a convite do presidente da República, Jorge Sampaio. O objectivo é reforçar as relações bilaterais entre Espanha e Portugal, através do manifesto interesse do herdeiro da Coroa espanhola em potenciar um conhecimento mais profundo da identidade portuguesa e vice-versa.
3 de Junho de 2003 às 00:00
PRÍNCIPE FELIPE REFORÇA RELAÇÕES BILATERAIS
PRÍNCIPE FELIPE REFORÇA RELAÇÕES BILATERAIS FOTO: José Barradas
"As relações bilaterais entre Espanha e Portugal encontram-se no melhor momento de toda a sua história e são reforçadas com a presença dos dois países nas instituições europeias, das quais têm uma visão institucional comum", afirmou à imprensa o porta-voz da Casa Real.
"Há uma vontade do príncipe em ser o transmissor da necessidade, da conveniência, da oportunidade e do reforço da identidade portuguesa em Espanha e vice-versa", acrescentou.
AGENDA DA VISITA
No primeiro evento agendado para o início da visita, o príncipe Felipe foi recebido pelo presidente da República, Jorge Sampaio, e pela primeira-dama, Maria José Ritta, no Palácio de Belém, onde foi servido um almoço em honra do príncipe.
Logo a seguir ao almoço, Felipe de Borbón visitou o Mosteiro dos Jerónimos, onde colocou uma coroa de flores no túmulo do poeta e escritor Luís Vaz de Camões e conheceu a igreja e os claustros. A directora do Mosteiro, Isabel Cruz Almeida, e o prior dos Jerónimos, o cónego José Manuel Santos Ferreira, conduziram o príncipe durante a visita, relatando um pouco da história de um dos mais emblemáticos monumentos portugueses.
Mais tarde, à chegada à Assembleia da República, no Palácio de São Bento, a vice-presidente da Assembleia em exercício, Leonor Beleza, e os porta-vozes dos grupos parlamentares receberam Felipe de Borbón ao som do hino espanhol. No encontro foi sublinhado, de acordo com o porta-voz da Casa Real, "o aumento notável da cooperação transfronteiriça, bem como o papel de Portugal e Espanha no desenvolvimento de cimeiras ibero-americanas".
"Foi uma conversa muito interessante", confidenciou Leonor Beleza, acrescentando que tinha sido um enorme prazer falar com uma pessoa tão bem informada.
Já no Hotel Ritz, onde Sua Alteza Real está instalada, decorreu um encontro com o presidente e outros representantes da Associação Industrial Portuguesa (AIP), numa oportunidade para o príncipe ter um contacto próximo com diferentes sectores da sociedade portuguesa, em particular o económico."Que belo dia me prepararam para esta visita", afirmou o príncipe em conversa informal com os representantes industriais da AIP.
De seguida, o herdeiro da Coroa espanhola recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros, com quem mantém uma relação pessoal desde os tempos em que António Martins da Cruz era embaixador em Madrid.
Quase a fechar o dia, Felipe de Borbón visitou a Embaixada de Espanha, no Palácio de Palhavã, para se reunir com os principais representantes da comunidade espanhola.
O primeiro dia de visita oficial terminou com um jantar de gala servido no Palácio de Queluz , oferecido pelo presidente da República, no qual estiveram presentes centenas de convidados ilustres.
SEGUNDO DIA DE VISITA
Hoje, Felipe de Borbón dá seguimento à visita oficial, sendo de salientar a sua presença na Câmara Municipal de Lisboa, onde será recebido pelo presidente Santana Lopes, bem como o encontro com o primeiro-ministro, Durão Barroso, no Palácio das Necessidades.
O príncipe das Astúrias deverá ainda visitar a Academia Portuguesa de História, o Instituto Camões e o Instituto Cervantes, oferecendo depois uma recepção no final do dia às autoridades portuguesas.
Amanhã será o terceiro e último dia da visita, que começa com um encontro com representantes da Câmara de Comérico Luso-Espanhola, no Hotel Ritz, e termina em Évora, onde vai ainda visitar a Câmara Municipal da cidade e a Universidade.
SEGURANÇA DO HERDEIRO DA COROA ESPANHOLA DISCRETA MAS EFICAZ
O primeiro dia daquela que é a quinta visita do príncipe Felipe das Astúrias a Portugal foi marcada por uma segurança efectiva, embora discreta.
O herdeiro do Coroa espanhola, de 35 anos, chegou ao Palácio de Belém, onde decorreu a primeira etapa do dia inaugural da sua visita ao nosso país, escoltado por dezenas de viaturas, entre as quais se contavam diversos carros e motas da Polícia, além da segurança privada de Felipe de Borbón.
A segurança não era ostensiva. À primeira vista parecia até pouco eficaz. Por exemplo, as malas dos repórteres não foram revistadas, não tendo sido colocado qualquer tipo de entraves ao acesso de jornalistas não portadores de carteira profissional e que apenas exibiam os cartões dos respectivos órgãos Comunicação Social.
Mas numa observação mais atenta, percebeu-se que havia uma vigilância 'apertada', apesar de discreta. Efectivamente, quando os jornalistas tentavam chegar mais perto do príncipe, a "malha" apertava-se imediatamente. Os repórteres-fotográficos portugueses dispuseram apenas de breves momentos para fotografar, não tendo tido a possibilidade de acompanhar a visita.
Já durante a visita do príncipe espanhol ao Mosteiro dos Jerónimos, foi possível observar a presença de pessoal de segurança - presumivelmente membros da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP -, que inspeccionava cuidadosamente os arbustos situados nas imediações daquele considerado "ex-libris" da capital portuguesa.
Também durante a visita do herdeiro do trono espanhol à Assembleia da República, a segurança primou pela discrição. No entanto, antes de o príncipe de Borbón recolher ao hotel Ritz - onde se encontra hospedado -, foi visível um reforço significativo da segurança.
'AVANÇAR PARA ESPANHA'
No Hotel Ritz, em Lisboa, Felipe de Borbón reuniu-se com uma delegação da Associação Industrial Portuguesa (AIP), presidida por Jorge Rocha de Matos. Durante o encontro, os representantes industriais entregaram ao príncipe um exemplar da revista da Associação, com fotografias tiradas aquando da visita do herdeiro do trono à AIP em 1991. Em conversa com o CM, o presidente da Associação, Jorge Rocha de Matos, descreveu o encontro como "bastante cordial" e revelou ter sido abordado o "incremento das relações económicas entre Portugal e Espanha".
Sublinhando a "necessidade dos empresários portugueses avançarem com mais destreza para Espanha", Rocha de Matos considerou ainda "importante promover uma boa relação entre os empresários dos dois países, dando mais a conhecer o que é Portugal". "Temos de mostrar a Espanha a nossa realidade cultural e económica e temos de algum modo içar a bandeira da positividade", concluiu o presidente da AIP.
FIGO FEZ 'LIGAÇÃO' ENTRE VIZINHOS
O Presidente da República ofereceu ontem, no Palácio de Queluz, um jantar ao príncipe Felipe, de Espanha, no qual ambos abordaram entre outras questões, as relações bilaterais entre os dois países. Entre os ilustres convidados, esteve o futebolista Luís Figo, que alinha em Espanha e foi uma espécie de elo de união entre os vizinhos ibéricos.
Sampaio considerou que a visita do príncipe a Portugal "reflecte bem a intimidade e a confiança" que caracterizam o relacionamento bilateral entre Portugal e Espanha. O chefe de Estado adiantou que a visita constitui um incentivo para o permanente aprofundamento e renovação das relações políticas, económicas, culturais e sociais, que historicamente unem os dois povos".
Por seu lado, o príncipe Felipe, após agradecer o convite para visitar o nosso País, considerou Portugal um país "cada vez dinâmico e moderno, comprometido com o futuro e orgulhoso do seu passado, cuja projecção universal enriquece todos os europeus". Felipe sublinhou ainda, entre outros aspectos, a dupla missão da sua visita: "Venho transmitir uma mensagem de afecto do meu pai, Sua Majestade, o Rei de Espanha, e continuar a aprofundar o meu conhecimento de Portugal".
Entre as centenas de convidados do jantar, esteve o futebolista português Luís Figo, que representa a poderosa equipa espanhola do Real Madrid, acompanhado pela sua esposa.
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