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Procurador brasileiro pede 83 inquéritos contra ministros e parlamentares

Rodrigo Janot enviou a lista para o Supremo Tribunal Federal do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Março de 2017 às 22:33
Rodrigo Janot (à esq) com o líder do Senado, Renan Calheiros
Rodrigo Janot (à esq) com o líder do Senado, Renan Calheiros FOTO: Reuters
O Procurador-Geral da República brasileiro (PGR), Rodrigo Janot, enviou no final da tarde desta terça-feira, horário de Brasília, já noite em Lisboa, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a temida lista com pedidos de abertura de investigação contra políticos em exercício de mandato por suspeita de corrupção. Ao todo, Janot pediu ao STF a abertura de 83 inquéritos contra ministros e parlamentares de vários partidos, da base do Governo e da oposição.

A nova lista do chefe máximo do Ministério Público baseia-se nos depoimentos colaborativos prestados entre o final do ano passado e o final de Janeiro deste ano por 78 ex-executivos da Odebrecht sobre corrupção praticada por políticos envolvendo aquela construtora. Estima-se que cerca de 200 políticos sejam atingidos pelas denúncias feitas por esses ex-executivos, boa parte dos quais com cargos no governo do presidente Michel Temer ou com mandato de senador e de deputado, que só podem ser investigados pelo Supremo.

A lista é sigilosa, pois só o relator da Operação Lava Jato no STF, juiz Edson Fachim, pode autorizar ou não a divulgação tanto dos depoimentos dos ex-executivos quanto dos pedidos feitos ontem por Janot. Mas o Procurador-Geral já pediu a retirada do segredo de justiça de todos esses documentos, devendo Fachim tomar a decisão depois de análise.

Além de pedir ao STF a abertura desses 83 inquéritos contra políticos com privilégio de foro, ou seja, ministros e parlamentares, Rodrigo Janot enviou igualmente outros 211 pedidos de abertura de inquérito contra suspeitos que não têm mandato, e esses pedidos devem ser redirecionados pelo STF a outros tribunais. O PGR pediu ainda 7 arquivamentos e 19 outras diligências, totalizando 320 pedidos formulados ontem no âmbito da Lava Jato.

Esta é a segunda lista de políticos suspeitos de corrupção elaborada por Rodrigo Janot. Em 2015, a primeira lista enviada ao Supremo Tribunal tinha o nome de 49 políticos, mas até agora apenas cinco deles foram constituídos arguidos.

Fugas de informação vindas a público nos últimos dias aventam que entre os nomes dados como certos na lista entregue esta terça-feira por Janot para serem alvo de investigação estão pelo menos dois ministros de Temer, Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, exatamente os dois mais próximos ao presidente.

Entre parlamentares, davam-se como certos os nomes do ex-presidente do Congresso, Renan Calheiros, do ex-ministro do Planeamento de Temer e atual líder do Governo no Congresso, senador Romero Jucá, além de, provavelmente, os atuais presidentes do Senado, Eunício Oliveira, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.
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