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Procurador-geral brasileiro ataca operação Lava Jato e diz que procuradores têm dados secretos sobre 38 mil pessoas

Aras diz que os arquivos da Lava Jato em Curitiba são bem maiores do que os dados armazenados pelo Ministério Público em todo o restante do Brasil.

29 de julho de 2020 às 16:03

O novo Procurador-Geral da República brasileiro, Augusto Aras, nomeado há 10 meses pelo presidente Jair Bolsonaro fora da lista tríplice eleita por procuradores de todo o Brasil, fez duros ataques à Operação Lava Jato e afirmou que o grupo dessa força especial em Curitiba têm arquivos secretos sobre 38 mil pessoas. Segundo Aras, os arquivos da Lava Jato em Curitiba, onde teve início aquela operação anti-corrupção em 2014 e durante anos foi comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro, são bem maiores do que os dados armazenados pelo Ministério Público em todo o restante do Brasil.

"Todo o MPF (Ministério Público Federal) tem em seu sistema único 40 terabyts (de informações armazenadas). A força especial de procuradores da Lava Jato em Curitiba tem um arquivo com 350 terabytes e 38 mil pessoas com os seus dados depositados nele. Ninguém sabe como esses nomes foram escolhidos, quais foram os critérios."-Acusou o Procurador-Geral durante uma entrevista ao vivo pela Internet a um grupo de advogados conhecido como "Prerrogativas".

Para Aras, que desde que assumiu o cargo tem feito duras críticas à forma como os procuradores de Curitiba conduziram a Operação Lava Jato, não se pode imaginar que uma unidade institucional do Ministério Público se faça com segredos, que tenha uma caixa de segredos. Duas semanas atrás, Aras enviou uma procuradora da sua confiança a Curitiba para tentar ter acesso às informações guardadas no banco de dados do grupo da Lava Jato, mas o coordenador desse grupo, o polémico procurador Deltan Dallagnol, acusado de, juntamente com Sérgio Moro, ter muitas vezes violado a lei para conseguir provas contra suspeitos, entre eles o ex-presidente Lula da Silva, negou o acesso às informações, originando uma crise interna na PGR.

Para Augusto Aras, é preciso acabar com o que chamou de "lava jatismo" no Brasil, que seria a perseguição a pessoas e a violação da lei para se conseguirem condenações. Ele afirmou ainda que o Ministério Público tem "um lado B", que age fora das regras e esconde da própria instituição ao menos 50 mil documentos, e prometeu que na sua gestão vai tentar acabar com isso e dar transparência ao trabalho dos membros do MPF.

"Quem controla o fiscal? Quem controla o controlador? Cada membro do Ministério Público pode agir de acordo com a sua consciência, mas cada membro não é senhor da instituição."-Defendeu Aras, reiterando que a autonomia dos procuradores do Ministério Público tem de ser mantida e respeitada, mas que cada um não pode fazer o que quer sem prestar conta dos seus actos ou sem os ter devidamente avaliados e eventualmente revisados pelos órgãos internos da instituição.

Nos últimos meses, a atuação do grupo da Lava Jato em Curitiba, principalmente os métodos de Deltan Dallagnol e de Sérgio Moro, que depois de sair da operação se tornou ministro de Jair Bolsonaro e rompeu com ele em Abril, têm sido bastante criticados. Já no ano passado, mensagens vazadas de conversas entre Dallagnol e Moro mostravam que em vários casos eles não tinham certeza da culpa dos suspeitos mas procuravam assim mesmo formas de os condenar, mas os procuradores de Curitiba e o ex-juiz negam essas violações da lei e dizem que o que está a acontecer é uma grande operação para destruir a Lava Jato e garantir a impunidade de corruptos.

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