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Correio da Manhã

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Procuradora diz que Ghislaine Maxwell “entregava jovens para abusos sexuais”

Socialite e ex-namorada do magnata Jeffrey Epstein começou a ser julgada por tráfico sexual de menores e incentivo à prostituição.
Manuela Guerreiro 30 de Novembro de 2021 às 08:41
Protesto à porta do tribunal, em Nova Iorque
Protesto à porta do tribunal, em Nova Iorque
Ghislaine Maxwell, ex-namorada do magnata Jeffrey Epstein, que foi detido por pedofilia e morreu na cadeia em 2019, começou ontem a ser julgada em Nova Iorque por oito crimes, incluindo tráfico sexual de menores, incentivo à prostituição, conspiração para tráfico sexual e perjúrio. Pode apanhar até 80 anos de prisão se for considerada culpada.

“Perseguia jovens vulneráveis, manipulava-as e entregava-as para serem abusadas sexualmente”, disse esta segunda-feira a procuradora Lara Pomerantz no arranque do julgamento. A socialite britânica, de 59 anos, é acusada de recrutar raparigas, algumas com 14 anos, para a casa de Epstein, onde eram vítimas de abusos sexuais. Segundo a acusação, Ghislaine Maxwell assistiu aos abusos e terá mesmo participado.

Herdeira do magnata britânico da comunicação social Robert Maxwell, Ghislaine foi detida em julho de 2020 e está desde então na prisão de Brooklyn. Já lhe foram negados vários pedidos de fiança por apresentar um risco extremo de fuga. Declarou-se inocente e a defesa alega que está a ser usada como bode expiatório pela acusação por não ter conseguido levar Epstein a julgamento.

Já a acusação diz que foi Maxwell a recrutar as jovens. Entre 1994 e 2004, a socialite enviou presentes, como lingerie, e falou sobre sexo com as raparigas para ganhar a sua confiança, antes de as encorajar a fazer massagens eróticas a Epstein enquanto estavam nuas ou parcialmente nuas. O magnata masturbava-se ou tocava nos órgãos genitais das raparigas. Como compensação, as jovens recebiam dinheiro ou viagens. Nalguns casos foram pagas despesas de educação. “As vítimas sentiram-se em dívida e acreditaram que Maxwell e Epstein estavam a tentar ajudá-las”, escreve a acusação. O julgamento deverá durar seis semanas.

Pormenores
Quatro vítimas
O processo contra Ghislaine Maxwell é baseado no testemunho de quatro vítimas de abusos. Caso surgiu no âmbito do movimento #MeToo, que encoraja as vítimas de abuso sexual a denunciarem os crimes.

Príncipe André processado
Um dos nomes envolvidos no escândalo é o do príncipe André de Inglaterra. Alegada vítima, Virginia Giuffre, processou-o.

Início tremido
Julgamento começou com a seleção do júri, e chegou a ser suspenso por problemas com dois dos doze jurados.
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