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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Juiz do Supremo do Brasil anula decisão de libertar Lula da Silva

Dias Toffoli anulou, na noite desta quarta-feira, a decisão tomada horas antes por outro magistrado daquele tribunal.

19 de dezembro de 2018 às 21:00

O presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF), juiz Dias Toffoli, anulou na noite desta quarta-feira a decisão tomada horas antes por outro magistrado daquele tribunal, juiz Marco Aurélio Melo, que permitia a libertação, entre outros, do ex-presidente Lula da Silva. Toffoli atendeu a um recurso apresentado pela Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, contra a decisão de Melo.

Na tarde desta quinta-feira, logo após a última reunião do ano dos 11 juízes do STF, Marco Aurélio Melo decretou por decisão pessoal a inconstitucionalidade da lei que permite a prisão de arguidos condenados em segunda instância, como é o caso do antigo presidente.

Segundo Marco Aurélio Melo, os condenados em segunda instância ainda podem recorrer aos tribunais superiores, como o próprio STF, pelo que a prisão deles contraria a Constituição, que diz que ninguém pode ser preso para começar a cumprir pena enquanto não estiverem esgotados todos os recursos a que tem direito.

A decisão de Melo daria a liberdade a mais de 169 mil presos em todo o Brasil entre eles Lula da Silva, condenado a 12 anos e um mês em segunda instância e preso desde 7 de Abril mas que ainda aguarda decisão sobre recursos à sentença. A decisão do juiz do STF provocou uma enorme agitação no Brasil, nos meios políticos, jurídicos e na opinião pública.

No final da tarde, Raquel Dodge instaurou no STF um recurso contra a medida que poderia libertar Lula e uma imensa legião de criminosos, como assassinos, violadores e corruptos. Dias Toffoli, que como o Supremo Tribunal entrou ontem à tarde em férias responde pelos casos urgentes, acatou o recurso de Dodge pouco depois da instauração e anulou a decisão de Marco Aurélio Melo.

O próprio Toffoli já tinha marcado para 10 de Abril do próximo ano o julgamento de várias ações que criticam a prisão antes de esgotados todos os recursos. Marco Aurélio, que é contra a possibilidade dessa prisão antes de todos os apelos serem esgotados, decidiu unilateralmente antecipar-se a esse julgamento, alegando que o caso era urgente e que as pessoas presas não poderiam aguardar tanto tempo.

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