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Correio da Manhã

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Programa nuclear iraniano: Acordo de última hora dá espaço a diálogo com nova Administração Biden

Irão suspendeu inspeções sem aviso às suas instalações nucleares, mas “acordo técnico” evitou cenário de rotura completa.
Ricardo Ramos 23 de Fevereiro de 2021 às 08:22
Presidente iraniano Hassan Rohani
Presidente iraniano Hassan Rohani FOTO: EPA
O Irão proibiu a partir desta segunda-feira a realização de inspeções surpresa às suas instalações nucleares, mas um acordo de última hora alcançado domingo à noite em Teerão pelo diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) evitou consequências piores e abriu espaço ao diálogo com a nova Administração Biden.

A proibição de inspeções, ditada pelo Parlamento de Teerão, foi vista como uma forma de forçar os EUA a levantar as sanções económicas ao Irão, mas arriscava extremar posições numa altura em que Biden se prepara para regressar à mesa das negociações para tentar salvar e renegociar o acordo nuclear rasgado por Trump em 2018.

O diretor da AIEA, Rafael Grossi, voou para a capital iraniana no fim de semana para tentar limitar os danos e conseguiu negociar um “acordo técnico temporário” que permite aos inspetores da agência “manterem as suas tarefas essenciais de vigilância e monitorização” do programa nuclear.

Ao abrigo do acordo, o Irão vai reter durante três meses as imagens gravadas pelas câmaras instaladas pela AIEA na suas instalações, mas reserva-se o direito de as apagar se os EUA não levantarem as sanções nesse período.

“Temos de ser realistas, vamos ter menos acesso [às instalações nucleares iranianas] mas os nossos inspetores vão poder continuar a fazer o seu trabalho de forma satisfatória”, disse Grossi, adiantando que o acordo abre espaço para a diplomacia atuar. 



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