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Correio da Manhã

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Projecto de Mas nas mãos da ERC

A Convergência e União (CiU), vencedora das eleições de domingo na Catalunha, pediu ontem tempo para reflectir nas alianças de governo após a vitória com sabor amargo que a deixou longe da "maioria excepcional" e a levou mesmo a perder 12 deputados no Parlamento regional.
27 de Novembro de 2012 às 01:00
Artur Mas (esq.) com Alicia Camacho, do PP catalão, e Oriol Junqueras, líder da ERC
Artur Mas (esq.) com Alicia Camacho, do PP catalão, e Oriol Junqueras, líder da ERC FOTO: Albert Gea/Reuters

Na coligação nacionalista admite-se que os resultados deixam o futuro "nas mãos da Esquerda Republicana" (ERC), segunda força mais votada e vencedora da noite eleitoral, pois duplicou a sua força parlamentar (tem 21 deputados).

Uma eventual aliança de poder é, no entanto, descartada pela ERC. Oriol Junqueras, líder nacionalista de esquerda, afirma-se aberto a cooperar com um novo governo de Artur Mas, líder da CiU, mas a partir do Parlamento. Junqueras avisou ainda sobre alianças à direita: "Se a CiU quer algum tipo de acordo tem de fazer um sinal. Não pode continuar a dar poder ao PP".

Por seu lado, Mas passou responsabilidade a Junqueras, ao afirmar que "os partidos que cresceram têm de ser co-responsáveis dos êxitos e das decisões difíceis". Sem o dizer, aludiu à política de austeridade que a CiU defende para fazer frente à crise económica catalã, onde o desemprego chegou aos 22%.

Este é, aliás, o pomo da discórdia entre nacionalistas de direita e de esquerda, pois estes não admitem cortes sociais. Apesar de tudo, a ERC é o parceiro ‘natural’ de governo de Mas, pois este centrou a campanha na promessa de referendo soberanista, algo que não apoiam nem o PS nem o PP catalães (3º e 4º partidos mais votados).

"A ESTRATÉGIA DO CiU FOI UM FIASCO NUNCA VISTO"

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, considerou ontem os resultados das eleições na Catalunha "um fiasco " da estratégia separatista de Artur Mas "como nunca se viu".

Falando em privado no Comité Executivo Nacional do PP, Rajoy acusou ainda Mas de ter feito uma aposta "absurda, irresponsável e imprudente".

Por outro lado, elogiou a votação no PP catalão, liderado por Alicia Sánchez Camacho, que conseguiu eleger 19 deputados, mais um que em 2010.

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