Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Grécia: radicais contra cedências de Tsipras

Deputados acusam Tsipras de “cruzar linhas vermelhas”.
Isabel Faria 24 de Junho de 2015 às 01:00
Protesto. Manifestantes ergueram bandeiras gregas frente ao Parlamento de Atenas.
Protesto. Manifestantes ergueram bandeiras gregas frente ao Parlamento de Atenas. FOTO: yiannis liakos/reuters
Milhares de pessoas saíram à rua em Atenas em defesa do euro mas contra a nova proposta de acordo apresentada pelo governo grego na segunda-feira aos credores internacionais. Depois de uma noite inflamada na praça Syntagma, com várias detenções, terça-feira foi a vez de os reformados protestarem, acusando o primeiro-ministro Alexis Tsipras de "cruzar linhas vermelhas" ao aceitar aumento de impostos e mais cortes nas pensões.
Além da contestação popular, o Executivo helénico enfrenta agora duras críticas no Parlamento. Deputados radicais do Syriza, partido de esquerda no poder, e da oposição condenam as medidas apresentadas em Bruxelas e o tempo que levou para chegar a um entendimento.
"Um acordo com base nestas propostas é uma lápide para a Grécia", acusou Yannis Michelogiannakis, deputado do Syriza. Também o parceiro de coligação no governo, Pános Kamménos, líder do nacionalista Gregos Independentes, garantiu que não prescindirá da reestruturação da dívida para validar um acordo e recusou o fim de isenções fiscais sobre as ilhas do Mar Egeu. "Agora é muito claro que é a Grécia que está a negociar, e não simplesmente um governo", disse o também ministro da Defesa, acrescentando que o Gregos Independentes nunca irá cruzar as "linhas vermelhas", mesmo que "o governo caia".
Numa operação de charme, o porta-voz do Executivo, Gabriel Sakellarides, advertiu na TV que "cada deputado tem responsabilidade pessoal de reconhecer e compreender, não apenas a urgência do momento, mas a urgência de todo o projeto".
Sakellarides reconheceu que algumas medidas "são difíceis", mas garantiu que o plano criará "espaço" para a recuperar a economia e evitar a saída do euro.
Mais taxativo, o vice-presidente do Parlamento, Alexis Mitropoulos, frisou que "as medidas não podem ser votadas por serem radicais e antissociais". "As negociações fracassaram", referiu, e Alexis Tsipras deve agora "explicar ao povo como, após cinco meses de negociação, chegou a este resultado".

Clique para aceder à rubrica com a opinião de Octávio Ribeiro, diretor do CM, sobre este tema: Falta de memória
grécia proposta austeridade contestação protesto ruas Atenas deputados Alexis Tsipras
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)