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Correio da Manhã

Mundo

PROTESTOS VIOLENTOS NA COSTA DO MARFIM

Pelo menos cinco pessoas morreram, esta terça-feira, no quarto dia consecutivo de protestos populares na Costa do Marfim contra as recentes acções do contigente militar francês naquele país africano.
9 de Novembro de 2004 às 20:59
A situação é de motim e anarquia. Em quatro dias de protestos - desde que os franceses destruíram dois aviões e três helicópteros militares marfinenses em retaliação pelo bombardeamento marfinense que matou 9 militares franceses - cerca de 700 pessoas ficaram feridas e muitas casas e negócios foram destruídos e pilhados.
Um ministro marfinense disse que os franceses mataram a tiro 50 manifestantes desde sábado. O embaixador do país na ONU solicitou hoje uma condenação formal da França. Paris procura na organização mundial fazer aprovar um embargo á venda de armas à Costa do Marfim.
Mas o balanço de vítimas, como em todas as situações de conflito armado, é em si próprio uma arma política. Os marfinenses, por exemplo, acusam os soldados franceses de terem morto pelo menos cinco manifestantes, hoje, à porta do Hotel Ivoire em Abidjan, cidade epicentro da revolta popular. Mas o governo francês garante que foram soldados marfinenses quem disparou sobre a manifestação para proteger a retirada dos franceses do Hotel Ivoire. Facto inegável é que o hotel - símbolo da prosperidade do país - foi saqueado depois de os franceses terem abandonado o local.
A Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau (responsável por cerca de 40% das exportações mundiais), parece estar a resvalar para o caos. A indústria de cacau está parada e os preços da matéria prima do chocolate já estão a subir nos mercados internacionais.
Os franceses deram hoje início a uma operação aérea de apoio humanitário aos estrangeiros que estão sob protecção militar na Costa do Marfim, operação essa que permitirá a repatriação de todos aqueles que o solicitarem.
Também hoje, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, deslocou-se à Costa do Marfim, na qualidade de chefe de uma missão da União Africana, e reuniu-se com o presidente Laurent Gbagbo em Abidjan, pouco antes dos incidentes no Hotel Ivoire. Mbeki disse ter ficado satisfeito com o empenho declarado por Gbagbo no respeito pelos acordos de paz do ano passado.
Os acordos referem-se à divisão administrativa do país em duas partes, o Norte para os rebeldes e o Sul para o governo de Gbagbo. Mas o presidente quebrou o compromisso na passada quinta-feira, ao dar início a uma campanha de bombardeamentos aéreos contra posições rebeldes no Norte do país. Foi no âmbito dessa campanha que uma bomba matou os soldados franceses e fez mergulhar o país no caos.
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