"Síndrome de Koro" é um transtorno psicológico caraterizado pelo medo intenso de que os órgãos genitais estejam a encolher ou retrair.
A psicóloga angolana Amélia de Almeida disse esta sexta-feira que os alegados casos de desaparecimento de órgãos genitais, que causaram a morte de um cidadão no país, resulta da "síndrome de Koro" e de mitos associados a crenças culturais.
De acordo com a psicóloga, o fenómeno preocupante, e que ganhou contornos alarmantes na sociedade angolana, deriva de crenças culturais africanas segundo as quais o ónus e/ou o poder de um homem está centrado na sua masculinidade.
"Logo, tudo o que ocorre e compromete o posicionamento de um homem como alfa, como provedor, como um procriador e como um homem de prazer libidinoso cria pânico, porque estamos a falar de um povo que a masculinidade é comprovada pelo número de parceiras (...), então, isto implicou e criou essa situação de pânico, o que é preocupante", disse a especialista.
Em declarações à Lusa, no âmbito do aumento de relatos diários em Angola de alegados desaparecimentos de órgãos genitais masculinos, por via de um simples toque ou aperto de mão, Amélia de Almeida considerou também estar-se diante de uma "síndrome de Koro".
"Por isso é que em algumas análises psicológicas nós falamos disso como síndrome de Koro, que tem a ver, e já aconteceu em outros países africanos, como Quénia, Uganda, Moçambique, já tiveram isso, e o episódio foi acompanhado com atos de violência também", notou.
A "síndrome de Koro" é um transtorno psicológico caraterizado pelo medo intenso de que os órgãos genitais estejam a encolher ou retrair, podendo levar à ansiedade extrema e a comportamentos compulsivos.
"Esta síndrome está associada com crenças culturais, desfoco e acompanhado com ansiedade também, de um episódio natural que tem a ver, segundo a ciência, com momentos na vida [em que o] órgão genital masculino encolhe, que é um episódio normal segundo urologistas, mas aí entra o lado do Koro", explicou.
Segundo a também conhecida como "psicóloga africana", os referidos sintomas, associados a crenças de feitiçaria, bruxaria, geram preocupações que estimulam o pânico social e episódios acompanhados de violência, como já se registaram em várias províncias angolanas.
O fenómeno de alegados desaparecimentos de órgãos genitais masculinos associados à feitiçaria em Angola tem gerado alarmismo nas últimas semanas no seio da sociedade e também cenas de agressões aos alegados autores, segundo relataram as autoridades.
Amélia de Almeida defendeu a realização de atividades preventivas e explicativas no seio da sociedade para se travar a propagação do fenómeno e as cenas de agressão.
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Angola reafirmou, em comunicado, que são falsos os vídeos e conteúdos postos a circular que relatam suposto envolvimento de cidadãos da República Democrática do Congo, na prática dos referidos atos.
As informações e demais conteúdos "estão desprovidos de qualquer realismo técnico e científico", referiu o SIC, salientando que submeteu a exames cidadãos que se apresentaram como vítimas e não foram constatadas quaisquer anomalias físicas nos seus órgãos genitais.
"Essa falsa notícia tem contribuído em atos violentos de elevada gravidade contra pacatos cidadãos acusados nas referidas práticas, entre ofensas à integridade física e linchamento de que resultaram na morte de um cidadão na província da Lunda Norte", assinala o SIC.
O órgão de polícia assegura que irá responsabilizar criminalmente os cidadãos que insistirem na "disseminação fortuita" de informações e conteúdos dessa natureza, dando nota que foram já detidas 17 pessoas.
Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Luanda, Huambo e Cabinda são algumas províncias angolanas que reportaram casos de alegados desaparecimentos de órgãos genitais masculinos.
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