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Correio da Manhã

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Putin ordenou morte

A eliminação de Aslan Maskhadov foi decidida pelo presidente Vladimir Putin. Esta é a análise que faz a Imprensa russa, segundo a qual o Kremlin receava que aquele líder rebelde viesse a ser considerado pelo Ocidente como o líder de um ‘Sinn Fein tchetcheno’, com quem seria legítimo dialogar.
10 de Março de 2005 às 00:00
Para o diário russo ‘Izvestia’, por exemplo, matar Maskhadov não era uma missão difícil para os Serviços Secretos russos, porque a Tche-tchénia está cheia de informadores. A eliminação terá sido só agora decidida ao mais alto nível porque o Kremlin começou a considerá-lo perigoso, já que era o mais moderado dos líderes rebeldes tchetchenos e o único que propôs diálogo a Moscovo.
Desde que assumiu o poder, o presidente russo rejeitou dialogar com terroristas e argumentava que Maskhadov não representava a maioria dos tchetchenos, o que era verdade na altura em que este foi eleito presidente da Tchetchénia. Mas, depois de voltar à resistência, o líder rebelde abatido na terça-feira com uma granada foi reconquistando a confiança dos tchetchenos e a verdade é que as tréguas que decretara em Fevereiro estavam a ser globalmente respeitadas. A sua crescente influência e a moderação poderiam levar a que o Ocidente pressionasse o Kremlin para um diálogo, à semelhança do que acontece na Irlanda do Norte.
Mas Moscovo poderá ter cometido um erro grave, porque o sucessor de Maskhadov será um radical. Aliás, Akhmed Zakayev, porta-voz da resistência tchetchena na Europa, sediada no Reino Unido, avisou: “Para o Kremlin, Aslan Maskhadov vai ser muito mais perigoso morto do que o foi em vida. A sua morte é uma grande perda para nós, mas não o fim, como julga Putin. A resistência vai continuar”.
Horas depois destas declarações, o guerrilheiro mais procurado pela Rússia, Shamil Basayev, anunciava num ‘site’o sucessor de Maskhadov. “Todos os muçulmanos de Itchkéria (nome dado à Tchetchénia pelos independentistas), do Cáucaso e da Rússia têm de jurar fidelidade ao novo presidente, xeque Abdul Khalim. Os que combateram em nome de Maskhadov podem descansar. E para os que combateram em nome de Alá, a jihad continua.” Um comunicado que faz prever o pior.
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