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Correio da Manhã

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Pyongyang aponta data para negociações

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte admitiu esta segunda-feira a possibilidade de as conversações multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano poderem começar na semana de 12 de Setembro.
29 de Agosto de 2005 às 14:34
Complexo nuclear de Yongbyon, na Coreia do Norte (imagem de satélite)
Complexo nuclear de Yongbyon, na Coreia do Norte (imagem de satélite) FOTO: d.r.
A diplomacia de Pyongyang responsabilizou os 'jogos de guerra' conjuntos da Coreia do Sul com os EUA (de 22 de Agosto a 2 de Setembro) pelo atraso na marcação da data desda quinta ronda de negociações que envolvem as duas Coreias, a China, os EUA, a Rússia e o Japão.
A teoria do atraso, apresentada pela diplomacia norte-coreana, pode ser sustentada pelo facto de, tecnicamente, Coreia do Sul e Coreia do Norte estarem ainda em estado de guerra. O conflito de 1950-53 terminou com um armistício, mas nunca foi assinado um acordo de paz. É por esta razão que os EUA mantêm mais de 30 mil militares na Coreia do Sul. É por esta razão que a fronteira entre as duas Coreias é a mais fortificada do Mundo. E é por isso mesmo que os EUA recusaram aderir à moratória global contra as minas terrestres.
Pyongyang quer envolver os EUA num eventual acordo de paz, mas Washington quer ficar de fora, reservando assim o direito de manter todas as opções em aberto na discussão sobre o programa nuclear norte-coreano. Sabe-se que existe uma fábrica de processamento de plutónio na Coreia do Norte e os EUA alegam que Pyongyang admitiu estar a desenvolver um programa de enriquecimento de urânio em violação de um acordo de 1994. Os norte-coreanos desmentiram, mas este ano admitiram ter armas nucleares e insistem no direito à sua posse como forma de conter o alegado potencial hostil dos EUA.
A China é o grande aliado da Coreia do Norte neste complicado xadrez estratégico. Por isso mesmo, alguns analistas contrapõem que as razões do atraso na quinta ronda de negociações nada têm a ver com os 'jogos de guerra' Coreia do Sul-EUA, mas antes com a visita do presidente chinês, Hu Jintao, aos EUA, prevista começar no próximo dia 5 de Setembro. Pyongyang poderá estar à espera dos resultados desta cimeira bilateral antes de se 'sentar à mesa' com os restantes cinco parceiros de negociações.
As negociações multilaterais envolvem, sobretudo, o programa nuclear norte-coreano, para a adbicação do qual os restantes parceiros de negociações oferecem contrapartidas económicas. Mas, para Pyongyang continuará a ser mais importante obter uma garantia escrita de não agressão por parte de Washington...
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