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Correio da Manhã

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Pyongyang continua a reclamar direitos

A Coreia do Norte voltou a reclamar, esta terça-feira, o direito de desenvolver actividades nucleares para fins pacíficos, uma reivindicação que tem impedido pôr fim ao impasse nas negociações sobre a crise nuclear norte-coreana. A posição de Pyongyang foi conhecida no mesmo dia em que foi retomada, em Pequim, a quarta ronda de conversações multilaterais para tentar encontrar uma saída para a crise.
13 de Setembro de 2005 às 16:58
Pyongyang continua a reclamar direitos
Pyongyang continua a reclamar direitos FOTO: d.r.
“A Coreia do Norte tem o direito de desenvolver programas nucleares para fins civis. Este direito não é um recompensa e não necessita da aprovação de outros. Temos este direito e, mais importante ainda, devemos usar este direito”, declarou ainda em Pyongyang, antes de viajar para a capital chinesa, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Kim Kye-gwan, que chefia a delegação norte-coreana, citado pela agência noticiosa chinesa Xinhua.
Delegações da Coreia do Sul, EUA, Japão, Rússia e China retomaram em Pequim a quarta ronda de negociações com Pyongyang para tentar convencer as autoridades norte-coreanas a desistirem do seu programa nuclear, depois de as conversações multilaterais terem sido interrompidas no passado dia 7 de Agosto, com Washington a recusar aceitar a reivindicação da Coreia do Norte de ter direito a desenvolver um programa nuclear para fins civis.
Segundo a posição norte-americana, Pyongyang não tinha justificação para desenvolver um programa nuclear para produção de energia, atendendo a que a Coreia do Sul havia prometido cobrir todas as suas necessidades energéticas. Para muitos analistas, o governo da Coreia do Norte, que tem acusado os EUA de hostilidade e falta de confiança, está a usar o ‘trunfo do nuclear’ para tentar conseguir maiores benefícios económicos e diplomáticos.
A crise nuclear com a Coreia do Norte foi despoletada em Outubro de 2002. Na altura, Washington afirmou que Pyongyang havia admitido estar a desenvolver um programa secreto para enriquecer urânio, em violação do acordo estabelecido em 1994 com os EUA. Numa escalada de acusações trocadas entre as duas capitais, a Coreia do Norte foi acusada de ter reiniciado o seu programa militar nuclear.
Em resposta, Pyongyang expulsou os inspectores do Organismo Internacional de Energia Atómica (OIEA) e realizou testes com mísseis de curto alcance. Desde então, mantém-se o braço-de-ferro e as acusações de parte a parte, que têm impedido a resolução da crise. As três rondas de negociações já realizadas resultaram inconclusivas. A quarta ronda, iniciada no final do passado mês de Julho, acabou por ser interrompida 13 dias depois de ter começado, sendo agora retomada.
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