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Quem é Pablo Hasél, o rapper cuja detenção por "insultar a monarquia" está a gerar onda de tumultos em Espanha

Jovem de 32 anos vê-se a braços com a justiça devido a temas polémicos desde 2011.
Correio da Manhã 17 de Fevereiro de 2021 às 20:38
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol
Pablo Hasél, rapper espanhol

Foi esta terça-feira que o seu nome voltou a estar nas bocas do mundo, particularmente em Espanha, após ter sido detido na Universidade de Lérida, a 150 km de Barcelona: Pablo Hasél era alvo de um mandado de detenção por "glorificar o terrorismo e insultar a monarquia". A detenção, efetuada pelos Mossos d’Esquadra (polícia catalã), viria a motivar uma onda de protestos em Espanha, que descambaram em violência com as autoridades.

O polémico rapper espanhol, que nasceu em Lérida em agosto de 1988, havia sido condenado a dois anos e nove meses de prisão – a pena viria a ser ratificada pelo Supremo para 9 meses -, acusado de "glorificação do terrorismo e insulto à Coroa e às instituições do Estado", não apenas nas músicas  que compões e produz, como pelas publicações feitas na rede social Twitter, onde era comum dirigir mensagens de ataque à atuação policial e aos membros da realeza espanhola.

Como se tratava da quarta sentença de um tribunal contra o jovem, foi decretada a sua prisão.

Mas o ‘braço de ferro’ da justiça com o jovem de 32 anos começa logo em 2011, quando um tribunal declara que a liberdade de expressão do artista não contemplava o "discurso de ódio" que empregava nas letras.

Em 2017 um tribunal de Lérida viria a impor-lhe uma multa por rimas dirigidas ao autarca Àngel Ros, numa música que o rapper lhe ‘dedicou’: "Àngel mal nascido, mereces um tiro, vou-te esfaquear, arruinaste-me, vou arrancar-te a pela às tiras", ouve-se no tema que gerou polémica e que lhe valeu uma coima de 30 mil euros.

Já em 2017 condenado por resistência à detenção e desobediência à autoridade, em 2018 viria a ser novamente condenado por invasão de propriedade. A Audiencia Nacional viria a levantar a suspensão da execução da pena decretada pelo tribunal, que o havia condenado no caso que envolve as músicas e publicações do artista nas redes sociais, esta segunda-feira, espoletando a detenção de Pablo para cumprir pena.

O jovem procurou ‘refúgio’ na universidade local, juntamente com um grupo de apoiantes, e acabou por ter que ser retirado à força do espaço. "Seria uma humilhação indigna ir pelo meu próprio pé perante uma sentença tão injusta (…). Não vou ser o o único preso político, as cadeias do estado estão cheias de revolucionários que nos reapresentaram, lutando por direitos e liberdade democráticas. E por isso parte da minha sentença é por o explicar e ser solidário para com eles", escreve o rapper num comunicado que deixou nas redes sociais, antes de ser detido.



Entre os versos considerados no caso, e que já motivaram condenação anterior em 2014, assim como as frases publicadas nas redes sociais que sustentam a acusação contra o músico, separatista catalão assumido estão:

- "O carro do Patxi López merece explodir!"

- "Não tenho pena por teres sido baleado no pescoço, socialista"

- "Alguém espete um machado de gelo na cabeça do José Bono"

- " Pena de morte para as Infantas patéticas, que gastam o nosso dinheiro em operações plásticas"

- "50 polícias feridos? Estes mercenários de m***** mordem a língua a agredirem pessoas e dizem que foram feridos"

- "O mafioso do Bourbon a festejar com a monarquia saudita, tudo próximo naqueles que financiam o Daesh"

 - "O mafioso m******  do rei a dar lições num palácio, um milionário à custa da miséria do povo. Marca Espanha"

- "Os amigos do reino de Espanha a bombardearem hospitais ENQUANTO O Juan Carlos vai ás p**** com eles"

- "Mais um ano com a máfia e medieval monarquia, insultando a inteligência e a divindade com dinheiros públicos. Parece mentira"

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