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Correio da Manhã

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Quem são as vítimas do massacre no México que vitimou mães e crianças

Membro da família LeBaron contou a história de como duas crianças ajudaram a salvar os irmãos.
Diogo Barreto / SÁBADO 5 de Novembro de 2019 às 18:57
Família morre em emboscada no México
Família morre em emboscada no México FOTO: Direitos Reservados/ Facebook

Nove membros de uma comunidade Mórmon do norte do México morreram esta segunda-feira, vítimas de uma emboscada por parte de um cartel. Faziam parte de uma comunidade Mórmon conhecida como Colónia LeBaron, fundada na primeira metade do século XX.

O grupo de três mães e os seus 14 filhos tinham saído de carro de Bavispe, em direção a La Mora. Pelo caminho terão sido emboscadas por um grupo de mercenários. Os três carros foram encontrados na berma da estrada, com os restos mortais das vítimas no seu interior.

Em vídeos divulgados pelos meios de comunicação social mexicana vê-se, no local do crime, um carro consumido pelas chamas.

Um dos elementos da família, que tem feito atualizações regulares aos factos escreveu no seu Facebook um relato dos acontecimentos.

Um dos carros foi encontrado cravejado de balas e incinerado. Uma das mulheres e as quatro crianças que levava no carro morreram queimadas. Rhonita LeBaron levava consigo as duas gémeas de seis meses e dois outros filhos, um de oito e outro de dez anos. Conta a publicação que uma das crianças terá tentado sair do carro, já que a porta estava aberta e o corpo meio fora, meio dentro do veículo.

Cerca de 15 quilómetros ao fim da estrada estavam Cristina, que levava uma bebé no carro e Dawna, que levava nove crianças na carrinha. Quando dispararam sobre os veículos, a primeira mulher terá saído, abanando os braços e pedindo misericórdia. Tanto esta como Dawna foram baleadas. Também dois rapazes que seguiam com a segunda morreram no tiroteio.

Depois de ter visto a mãe e irmãos ser baleada, Devin, um dos filhos, escondeu os seus seis irmãos nos arbustos e tapou-os com ramos para os manter seguros enquanto procurava ajuda. Quando o jovem demorou demasiado tempo, a irmã de nove anos saiu para procurar ela ajuda, deixando os restante cinco sozinhos. Devind demorou seis horas a chegar à cidade mais próxima, dando notícias do ataque.

Os tios do jovem armaram-se foram em busca das crianças, encontradas às 19h30 (hora local). Encontraram também a bebé Faith, na cadeirinha do carro. Apesar de o veículo estar cravejado de balas, a bebé saiu ilesa. Já a pequena Mckenzie, que tinha saído para procurar ajuda, foi encontrada duas horas depois.

As crianças feridas foram transportadas para Phoenix, nos EUA para proteção. Já Devin, o seu irmão Jake e Faith, que saíram todos ilesos, foram para casa de tios e avós.

No total morreram nove pessoas da família. "Perdemos nove, hoje. Agora mesmo estamos à espera da manhã, para termos respostas. Para termos justiça", escreveu.

Jhon LeBaron elencou ainda as vítimas:

Mortos:
Rhonita Maria Miller, 30 anos
Howard Jacob Miller, Jr., 12 anos
Krystal Bellaine Miller, 10 anos 
Titus Alvin Miller e Tiana Gricel Miller, 8 meses, gémeas

Todos baleados e incinerados no seu carro. Apenas cinzas e alguns ossos resistiram. (...) O pai/marido é Howard Sr, que estava no Dakota do Norte aquando do ataque. Sobreviveram três irmãos que estavam ao cuidado dos avós: Tristan, Amaryllise and Zack.

Christina Marie Langford Johnson, 29 anos
Dawna Ray Langford, 43 anos
Trevor Harvey Langford, 11 anos
Rogan Jay Langford, 2 anos
Todos eles baleados

Sobreviventes:
Faith Marie Johnson, sete meses
Kylie Evelyn Langford, 14 anos, baleada no pé
Devin Blake Langford, 13 anos, sem ferimentos, andou quase 20 quilómetros até LaMota
Mckenzie Rayne Langford, 9 anos, ferimento ligeiro no braço, andou cerca de 15 quilómetros, perdida
Cody Greyson Langford, 8 anos, foi baleado no maxilar e na perna. Está em estado crítico, mas fora de perigo de vida
Jake Ryder Langford, 6 anos, sem ferimentos
Xander Boe Langford, 4 anos, baleada nas costas
Brixon Oliver Langford, nove meses, ferimento de bala perto do peito, com ferida aberta, e ferimento no pulso"

As procuradorias-gerais de Chihuahua e Sonora emitiram um comunicado conjunto onde afirmavam que tinha sido lançada uma investigação e acionadas as forças de segurança para proteger a família.

Os fundadores da comunidade exilaram-se no México depois de a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias dos EUA ter começado a condenar a poligamia. No México a comunidade conseguiu manter o seu estilo de vida, incluindo as múltiplas relações maritais.

Nos últimos tempos, esta comunidade tem criticado e tentado agir contra o crime organizado e os gangues de drogas, denunciando a violência dos cartéis. Em 2009, Erick LeBaron, então com 17 anos, foi raptado e pedido um resgate em troca. A comunidade disse que não iria negociar com o gangue pois isso só iria encorajar novos raptos. Erick acabou por ser libertado, mas meses mais tarde, o seu irmão Benjamin, que liderou os apelos pela libertação foi espancado até à morte, bem como o seu cunhado.

Alguns meios locais afirmam que os mercenários poderão ter confundido os carros que atacaram, pensando que se tratavam de veículos de um gangue rival.

Os dois gangues que se defrontam naquela zona do México são os La Línea e os Los Chapos. Os primeiros têm ligações ao cartel de Juárez e os segundos ao de Sinaloa.

O presidente mexicano disse que vai implementar uma política de não-violência com os cartéis mexicanos, o que levou os seus adversários a acusarem-no de não ter uma estratégia sustentável para a segurança interna.

A família LeBaron pediu ajuda ao FBI e a toda a família mórmon para que os ajudem a combater os gangues. 

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