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Quem são os 11 detidos ligados à morte de Samuel Paty, o professor decapitado em França

Docente foi atacado quando se encontrava a caminho de casa.
Correio da Manhã 18 de Outubro de 2020 às 14:29
Samuel Paty
Samuel Paty FOTO: Direitos Reservados / Twitter

Dois dias após o atentado que custou a vida ao professor Samuel Paty, em Conflans-Sainte-Honorine, França, já foram detidas onze pessoas que estão sob custódia policial como parte importante na investigação do crime.

O docente foi atacado por um jovem de 18 anos, num crime que está a ser investigado como ataque terrorista, quando se encontrava a caminho de casa. O agressor terá gritado "Alá é grande" antes de ser abatido pela polícia.

Em causa estará o facto de Samuel ter mostrado uma caricatura de profeta numa das suas aulas.

Mas afinal, quem são estes suspeitos?

Família do agressor de 18 anos
A família do jovem que decapitou Samuel terá chegado a França em 2008, quando Abdoullakh, o mais velho de seis meninos, tinha então 6 anos.

Depois do crime ocorrido esta sexta-feira, quatro familiares do agressor, entre eles os pais, avô e irmão mais novo de Abdoullakh Anzorov, foram detidos em Evreux após a identificação do jovem.

A informação, avançada pelo Le Parisien, dá conta de que o pai do agressor garantiu aos investigadores que não se terá apercebido da radicalização do filho. 

Pais de alunos
Brahim C., de 48 anos, é pai do aluno que convocou a mobilização contra o professor. Foi detido em Chanteloup-les-Vignes na manhã deste sábado. 

A 7 de outubro, 
Brahim C publicou no Facebook uma nota que vinha incentivar um "movimento contra o professor". A 5 de outubro, Samuel Paty mostrou duas caricaturas de Maomé aos seus alunos e, por isso, Brahim estava a acusá-lo de divulgação de imagens pornográficas.

O homem afirmou, através da publicação, que a filha, de 13 anos, se recusou a assistir ao resto da aula por se sentir incomodada. No entanto, a investigação revela que a aluna não esteve presente na aula de dia 5.

Há outro pai, de outro aluno, que está a ser investigado. Este apresentou queixa contra o docente naquele mesmo dia.

Abdelhakim Sefrioui e o cúmplice
Desde o início da polémica, quando Brahim C tentou fazer ouvir a sua versão dos factos, Sefrioui apresentou-se como uma das principais chaves do ataque. 

O militante radical apresentou-se ao diretor do colégio como "responsável pelos irmãos de França". Chegou a ameaçar manifestar-se à frente do colégio. A 12 de outubro, afirmou que "Emmanuel Macron despertou o ódio entre muçulmanos". 

Três pessoas que estiveram com o agressor
Duas pessoas apresentaram-se, de forma espontânea, na esquadra da polícia de Evreux. Apesar de não se saber se o vínculo ao homicida é pessoal ou profissional, estão ambos ligados a Abdoullakh Anzorov.

Um terceiro membro foi durante a manhã deste domingo detido.

França homenageia Samuel
Um pouco por toda a França são esperadas este domingo manifestações contra o horror e em homenagem ao professor decapitado na sexta-feira, por mostrar aos seus alunos caricaturas de Maomé, e pelo qual 11 pessoas estão detidas.

O jornal Charlie Hebdo, duramente atingido pelo terrorismo islâmico em 2015, também anunciou que se vai associar à manifestação na capital francesa.

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