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Correio da Manhã

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Rainha de samba com sete anos

Júlia Lira, uma menina de apenas sete anos, está no centro de uma acesa polémica que tomou conta do Carnaval do Rio de Janeiro. Filha do presidente da escola de samba Viradouro, a criança foi escolhida para desfilar pela agremiação no sambódromo carioca no próximo fim-de-semana como rainha da bateria, lugar normalmente ocupado por mulheres exuberantes e sensuais. Organizações de defesa das crianças consideram chocante a presença de Lira nos desfiles e recorreram à Justiça.
7 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Júlia Lira, filha do presidente da escola Viradouro, adora dançar ao ritmo do samba
Júlia Lira, filha do presidente da escola Viradouro, adora dançar ao ritmo do samba FOTO: direitos reservados

Para o presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, o advogado Carlos Nicodemos, a função de rainha de bateria de uma escola de samba é imprópria para crianças, pois tem um forte apelo sexual. Nicodemos lembra que esse lugar já foi ocupado na Viradouro por mulheres famosas pelo seu corpo, como Luma de Oliveira e a actriz Juliana Paes.

Os responsáveis pela escola negam esse risco, garantem que a fantasia com que Júlia vai desfilar é claramente de criança e muito discreta, e acrescentam que uma menina de sete anos desfilando graciosamente e bem vestida é uma manifestação de pureza, sem qualquer conotação sexual. A escola convidou inclusive celebridades para o lugar, como a cantora mexicana Thalia, mas, perante as exigências das convidadas, Marcos Lira optou por escolher a própria filha, sonho que a menina acalentava há muito.

Indiferente à polémica, o público delirou com a dança de Lira durante o ensaio realizado na avenida Sapucaí, no centro do Rio de Janeiro, o mesmo local onde decorrerá o desfile oficial.

Se a cena se vai repetir ou não no próximo fim-de-semana só a Justiça o dirá, em sentença ansiosamente aguardada por todas as partes e que poderá ser anunciada nas próximas horas.

ESCOLAS DE SAMBA UTILIZAM MENORES

A decisão da escola de samba do Viradouro de escolher uma criança para ocupar o mais cobiçado lugar de destaque dos desfiles de Carnaval não é um facto inédito no Rio de Janeiro. Entre outros casos de menores que foram destaque em carros alegóricos ou mesmo em alas, houve em 2003 a situação de uma menina de 12 anos que desfilou pelo sambódromo da avenida Sapucaí como rainha da bateria da escolade samba Beija Flor. Um ano depois, em 2004, foi a vez da escola de samba Tradição, também do Rio de Janeiro, levar para a avenida como princesa da sua bateria uma outra menina, da mesma idade.

PORMENORES

EXÍMIA BAILARINA

Júlia, que pratica ballet desde os três anos, além de exímia bailarina é uma criança muito tímida, que se transformanum autêntico ‘animal de palco’ assim que ouve os acordes de um samba ou de um outro qualquer tipo de música.

RAINHA POUCO CARA

A mãe de Júlia, Mónica Lira,afirma que optaram por colocara criança como rainha da bateria da escola de Viradouro uma vez que ficava mais barato, dadoque outras pessoas contactadas exigiram somas exorbitantes.

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