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Correio da Manhã

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Ramos-Horta diz que crise não está resolvida

O primeiro-ministro Ramos-Horta foi ontem empossado pelo presidente Xanana Gusmão. No seu discurso de posse, Horta afirmou que “a consolidação da segurança” é a prioridade do seu executivo porque a crise militar ainda não está resolvida”, razão por que vai acumular a pasta da Defesa.
11 de Julho de 2006 às 00:00
O ex-chefe da diplomacia defendeu, por outro lado, que a assistência da ONU ao país deverá manter-se até 2011.
A cerimónia, na qual foram também empossados o primeiro e segundo vice-primeiro-ministro, Estanislau da Silva e Rui Araújo, realizou-se no Palácio das Cinzas, em Díli.
Na conferência de Imprensa, Ramos-Horta disse que a assistência da ONU ao país deverá manter-se até 2011. Acrescentou que ainda não há acordo no Conselho de Segurança da ONU relativamente ao envio de ‘capacetes azuis’, mas destacou a necessidade de uma força policial internacional e de conselheiros civis para a administração pública e instituições oficiais “terem de ficar pelo menos cinco anos”.
O formato e a composição da futura missão da ONU deverá ser decidido a 20 de Agosto. “A nova missão da ONU vai ter três pilares: Polícia, conselheiros civis para as instituições do Estado, o que inclui conselheiros para a realização de eleições, e forças de manutenção de paz, embora a este respeito ainda não haja acordo a nível do Conselho de Segurança”, precisou Horta.
Sobre a crise militar, Ramos-Horta referiu que ainda não está resolvida, adiantando que “as feridas são profundas e a instituição tem de ser repensada no seu todo”. “Há necessidade de diálogo no seio das Forças Armadas, das Forças Armadas com a Polícia Nacional e com a sociedade civil”, afirmou Horta.
“Ainda temos alguns militares que saíram das fileiras no dia 3 de Maio e ainda não regressaram. Ainda temos a questão dos peticionários. Ainda temos muito trabalho delicado pela frente e eu quero levar este processo muito a sério mas com prudência”, acrescentou.
A posse do restante elenco governamental será amanhã. “Vou continuar com a pasta da Defesa durante mais algum tempo. Para a pasta dos Negócios Estrangeiros haverá outro titular. O mais provável é ser Hernâni Coelho, embaixador em Camberra”, disse o primeiro-ministro. Horta salientou ainda que a ratificação do acordo com a Austrália para a exploração petrolífera figura também entre as prioridades do seu governo.
PERFIL
Filho de mãe timorense e pai português, José Manuel Ramos-Horta nasceu em Díli em 26 de Dezembro de 1949 e foi educado na Missão Católica de Soibada. Estudou Direito Internacional na Academia de Direito Internacional de Haia (1983) e na Universidade de Antioch, EUA, onde completou um mestrado em Estudos da Paz (1984). Em Dezembro de 1996 partilhou o Prémio Nobel da Paz com o bispo de Díli, D. Ximenes Belo.
REACÇÕES
MINISTRO LUÍS AMADO
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, destacou “a experiência, o elevado sentido de Estado e as capacidades de diálogo para a diplomacia” de Ramos-Horta. São “valores importantes para a tarefa que tem pela frente”, frisou Luís Amado.
UE CONGRATULA-SE
A União Europeia congratulou-se com a posse de Horta considerando-a um “passo encorajador” após semanas de instabilidade política e de violência”.
ALKATIRI COMUNICA
O ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri comunicou ao Parlamento que retomará o lugar de deputado da Fretilin após prestar declarações ao Ministério Público, no próximo dia 20.
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