Dissidente chinês morreu esta quinta-feira, aos 61 anos.
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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou esta quinta-feira a morte do ativista chinês Liu Xiaobo, prémio Nobel da paz, que morreu vitima de cancro no hospital, sob custódia, depois de quase nove anos numa prisão na China.
Guterres está "profundamente triste" com a morte de Liu e "apresentou as suas condolências à família e amigos", disse o seu porta-voz numa conferência de imprensa.
Ao contrário de outros líderes, o secretário-geral da ONU evitou fazer apelos ao governo chinês sobre a situação da viúva do ativista, Liu Xiaobo, que está sob prisão domiciliar.
"Nós não temos mais nada a dizer no momento", disse Stéphane Dujarric face a questões colocadas sobre este respeito.
Merkel lembra "corajoso combatente" pelos direitos cívicos
A chanceler alemã, Angela Merkel, prestou homenagem ao dissidente Liu Xiaobo, que morreu esta quinta-feira na China vítima de um cancro, depois de Berlim ter apelado por diversas vezes para que fosse tratado na Alemanha.
"Estou profundamente triste por Liu Xiaobo, o corajoso combatente pelos direitos cívicos e a liberdade de expressão", declarou Merkel numa mensagem divulgada na rede social de mensagens curtas Twitter pelo seu porta-voz Steffen Seibert.
Merkel expressou ainda condolências à família do dissidente.
O governo alemão tinha pedido na quarta-feira a Pequim para deixar Liu Xiaobo sair do país e declarou-se "pronto a acolhê-lo".
"A sua resistência pacífica fez dele um herói da luta pela democracia e os direitos humanos", escreveu hoje também no Twitter o ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, em homenagem ao prémio Nobel da Paz 2010.
Comité Nobel diz que China tem "pesada responsabilidade" na morte de Liu Xiaobo
O Comité Nobel, que distinguiu Liu Xiaobo com o prémio da Paz em 2010, acusou o Governo da China de ter "uma pesada responsabilidade na morte prematura" do dissidente chinês, ao privá-lo de "tratamento médico adequado".
"Consideramos profundamente perturbador que Liu Xiaobo não tenha sido transferido para instalações onde podia receber tratamento médico adequado antes de a doença entrar na fase terminal", lê-se num comunicado divulgado na página internet do Nobel.
"O Governo chinês tem uma pesada responsabilidade na sua morte prematura", acrescenta.
HRW disse que a morte de dissidente Liu Xiaobo "mostra a crueldade" do governo chinês
"Mesmo quando Liu Xiaobo piorou, o governo chinês continuou a isolá-lo e à sua família e negou-lhe a possibilidade de escolher livremente o seu tratamento médico", disse Sophie Richardon, diretora para a China da HRW, citada no comunicado.
"A arrogância, crueldade e insensibilidade do governo chinês são chocantes, mas a luta de Liu por uma China respeitadora dos direitos humanos e democrática continuará", adiantou.
A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque insta as autoridades chinesas a "libertar imediatamente e sem condições" a mulher do dissidente, Liu Xia, e a permitir-lhe "plena liberdade de movimentos, inclusive a abandonar o país, se desejar".
A HRW recorda que Liu, antigo professor de Literatura na Universidade Normal de Pequim, "foi um crítico sem rodeios do governo chinês" e que o seu primeiro livro e ensaios "foram influentes entre os intelectuais antes de ele ser preso".
França pede liberdade de movimentos para-família do dissidente chinês
"Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento da morte de Liu Xiaobo, prémio Nobel da Paz 2010", escreveu Le Drian numa declaração à imprensa.
O ministro francês destacou a forma como o dissidente, "durante mais de 30 anos", defendeu "com coragem os direitos fundamentais, nomeadamente a liberdade de expressão".
"França pediu várias vezes a sua libertação e deseja que as autoridades chinesas garantam a liberdade de movimentos da sua mulher, Liu Xia, da sua família e dos seus amigos", apelou.
"A defesa dos direitos humanos é uma prioridade da diplomacia francesa em todo o mundo. A esse título, essa questão faz parte do nosso diálogo com a China", concluiu.
EUA recordam ativista como alguém que lutou pelos ideais da humanidade
"Liu Xiaobo dedicou a sua vida ao melhoramento do seu país e da humanidade, e à procura da justiça e da liberdade", referiu o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, num comunicado, divulgado poucas horas depois do anúncio da morte do dissidente chinês e Nobel da Paz.
Liu Xiaobo, primeiro chinês a ser distinguido com o Nobel da Paz, morreu hoje num hospital de Shenyang, nordeste da China, vítima de cancro do fígado.
No mesmo comunicado, o secretário de Estado dos Estados Unidos exortou as autoridades chinesas a libertarem a mulher do dissidente, Liu Xia, colocada em prisão domiciliária pouco tempo depois de Liu Xiaobo ter sido distinguido em 2010 com o Nobel da Paz.
Até à data, Liu Xia não foi acusada de nenhum crime.
"Exorto o governo chinês a libertar Liu Xia da prisão domiciliária e a permitir que ela possa sair da China, de acordo com o seu desejo", referiu o representante dos Estados Unidos.
Ainda sobre a "trágica morte" de Liu Xiaobo, o secretário de Estado norte-americano frisou que, ao lutar pela liberdade, igualdade e o direito constitucional na China, o dissidente "incorporou o espírito humano que o Prémio Nobel distingue".
"Na sua morte, ele apenas reafirmou a escolha do Comité Nobel", concluiu.
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