Fundo Monetário Internacional deixou recomendação aos países africanos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou esta quinta-feira aos países africanos que aproveitem as receitas extraordinárias decorrentes do aumento do petróleo para saldarem pagamentos atrasos, fazerem transferências diretas para os mais vulneráveis e reforçar a resiliência.
"Do lado da política orçamental, para os países exportadores de petróleo, recomendamos que utilizem as receitas extraordinárias [decorrentes do aumento do preço de venda do crude devido à guerra no Médio Oriente] para construir resiliência, restabelecer as margens de manobra das políticas, reduzir a dívida e, havendo atrasos nos pagamentos, liquidá-los, para além de fornecer uma ajuda direcionada para as populações mais vulneráveis através de transferências diretas", disse o chefe-adjunto da divisão de estudos regionais do departamento africano.
Em entrevista à Lusa, António David referiu, contudo, que a posição do FMI relativamente aos subsídios aos combustíveis mantém-se e é preciso "evitar os subsídios generalizados porque são bastante onerosos e causam vários tipos de distorções".
Entre os exemplos de ajudas que os países podem dar na sequência da instabilidade criada com a guerra no Médio Oriente, que encareceu os combustíveis e criou cortes no abastecimento de fertilizantes, o FMI aponta para "transferências diretas para as famílias mais vulneráveis, um aumento temporário da proteção social ou aumento dos apoios à alimentação nas escolas".
Na entrevista à Lusa, a propósito da divulgação do relatório sobre as Perspetivas Económicas Africanas, no âmbito dos Encontros da Primavera do FMI e do Banco Mundial, que decorrem esta semana em Washington, António David disse que "o ano de 2025 foi muito bom para a África subsaariana, com um crescimento em torno dos 4,5%, e começou 2026 com um impulso muito positivo".
Contudo, alertou, "o choque da guerra no Médio Oriente causou um aumento abrupto e elevado dos preços do petróleo e dos fertilizantes, o que vai ter um impacto importante para a região", incluindo noutros setores como a energia, os custos dos transportes e o turismo, para além do nível de remessas.
Devido à incerteza dos acontecimentos, o FMI criou dois cenários, um que é o de referência, e no qual se prevê um aperto nas condições de financiamento durante o resto do ano e um crescimento médio de 4,3%, e um outro, mais grave, que parte do princípio que o conflito no Médio Oriente se prolonga até 2027.
"No cenário mais severo, os preços do petróleo mantêm-se elevados em 2026 e 2027 e as restrições no financiamento permanecem até ao próximo ano, o que nos leva a prever que, nesse contexto, a África subsaariana cresceria apenas 0,6% e a inflação subiria 2,4%", disse o responsável.
Para além das medidas imediatas, como a construção de resiliência e o apoio direto às famílias mais vulneráveis, o Fundo defende também reformas estruturais que apoiem a estabilidade macroeconómica, políticas orçamentais e monetárias prudentes.
O FMI recomenda ainda mais integração regional e implementação do Acordo de Comércio Livre (AfCFTA, na sigla em inglês), para além de um aprofundamento da digitalização e do aprofundamento dos mercados financeiros domésticos.
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