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Correio da Manhã

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RECLUSOS PALESTINIANOS EM GREVE DE FOME

Cerca de 2.800 reclusos palestinianos em Israel, vistos como símbolos da resistência à ocupação, estão em greve de fome, exigindo mais visitas e telefones, melhores condições sanitárias e o fim de revistas pessoais com obrigação de despir toda a roupa. Oitocentos reclusos que haviam suspendido o protesto na Prisão Ashkelon retomaram esta segunda-feira a greve de fome, alegando que as autoridades israelitas os enganaram.
30 de Agosto de 2004 às 13:31
Mais de 7 mil palestinianos, excluindo criminosos comuns, estão detidos em prisões israelitas sob acusação de envolvimento em actividades terroristas. No passado dia 15 deste mês de Agosto, 1.500 destes reclusos deram início a uma greve de fome exigindo, basicamente, melhores condições de reclusão e mais facilidades de comunicação com o exterior.
Na passada sexta-feira, 800 grevistas de fome suspenderam o protesto na Prisão Ashkelon, alegando terem chegado a um acordo com as autoridades prisionais. Esta segunda-feira, o presidente do Clube dos Prisioneiros Palestinianos, Issa Qarage, anunciou que os reclusos palestinianos em Ashkelon retomaram hoje a greve de fome porque as autoridades israelitas não teriam cumprido o alegado acordo. Qarage acrescentou que uma reunião entre reclusos e a direcção de Ashkelon, prevista para hoje, foi cancelada pelos israelitas sem qualquer explicação.
As autoridades prisionais israelitas, que desmentiram ter feito qualquer acordo com os reclusos em Ashkelon, garantiram que o processo negocial continua e desmentiram o retomar da greve de fome, informando que os reclusos têm comida nas celas e estão a comer. “Recusaram-se hoje a tomar refeições, como forma de protesto. Mas têm comida nas celas. Estão a comer”, disse uma porta-voz daquela autoridade.
Os sinais são contraditórios e não oferecem resposta concreta à pergunta: O que se passa com os reclusos palestinianos nas prisões israelitas? As autoridades israelitas admitem alguns protestos sob a forma de recusa em tomar refeições, mas alegam tratar-se de uma conspiração destinada a procurar melhor comunicação entre reclusos e os grupos militantes a que pertencem. Esta versão não esconde em absoluto que algo se estará a passar. E Issa Qarage já avisou que, se ocorrer a morte de um recluso palestiniano em Israel por greve de fome, isso será uma ”catástrofe”, isto é, o atear de um rastilho que pode desencadear uma nova onda de violência.
ISRAEL FALHA ALVO
Um avião militar israelita disparou hoje um míssil na direcção de um automóvel que circulava na cidade de Jenin, no território autónomo palestiniano da Cisjordânia. O míssil falhou o alvo e atingiu uma casa, ferindo uma rapariga com 7 anos de idade.
De acordo com residentes no local, no interior do automóvel que seria o alvo do ataque seguiam quatro membros da organização radical Brigadas Mártires de al-Aqsa, braço armado da Fatah, facção do presidente palestiniano Yasser Arafat na Organização de Libertação da Palestina (OLP).
Tudo indica que seria mais uma acção de eliminação selectiva de terroristas palestinianos sem julgamento prévio, uma política oficializada pelo governo de Ariel Sharon. Mas, desta vez, foi uma criança de sete anos a pagar o preço da guerra e do ódio.
No despacho da agência Reuters que dá notícia deste ataque falhado é indicado o testemunho de pessoas que presenciaram a ocorrência e que garantem ter visto um avião não tripulado segundos antes do impacte do míssil. A ser verdade não foi usado o habitual helicóptero, tendo os israelitas recorrido a um avião pilotado por controlo remoto, do tipo dos "Predator" norte-americanos. As autoridades israelitas confirmaram apenas o disparo, acrescentando que, "infelizmente", o alvo não foi atingido.
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