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Correio da Manhã

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Rede de corrupção do PP ganhou milhões com visita do Papa

A investigação à rede de corrupção relacionada com o Partido Popular (PP) espanhol descobriu novas ramificações no caso. Em 2006, aquando da visita do Papa Bento XVI a Valência, a rede de Francisco Correa cobrou comissões ilegais de quase milhão e meio de euros pela organização e montagem de infra-estruturas.
16 de Outubro de 2009 às 17:16
Rede cobrou comissões ilegais com vinda de Bento XVI em 2006
Rede cobrou comissões ilegais com vinda de Bento XVI em 2006 FOTO: Laszlo Balögh/Reuters

Segundo o ‘El País', alguns dos arguidos do chamado ‘caso Gürtel' estão implicados neste novo escândalo, entre eles o próprio Correa, cabecilha da rede mafiosa, e Álvaro Pérez, ou ‘Bigodes', seu lugar-tenente em Valência.

O governo da comunidade valenciana, liderado pelo PP e vinculado ao caso ‘Gürtel', nega o envolvimento dos cabecilhas da rede corrupta na organização do evento. No entanto, a polícia descobriu num apartamento de Correa, em Madrid, documentos demonstrando que ele e Álvaro Pérez urdiram, em conluio com o governo regional, um plano para obter lucros milionários com a visita do Papa.

A Rádio Televisão Valenciana (RTVV), dependente do governo local, recebeu os direitos exclusivos de transmissão da visita. O presidente da RTVV da altura, García Jimeno, que já recebera subornos de Correa e partilhara com ele lucros de outras aventuras, contratou uma empresa para fazer a sonorização e montar monitores vídeo na cidade. O beneficiário do chorudo contrato, avaliado em 6,4 milhões de euros, foi a ‘Teconsa', empresa especializada na construção de estradas e edifícios e já antes relacionada com Correa.

Inexperiente no tipo de trabalho que lhe foi entregue, a construtora funcionou apenas como testa-de-ferro de um serviço efectivamente levado a cabo por três empresas de electrónica e comunicações - a alemã Equipment SG, e as espanholas Apogee Telecomunicaciones e Impacto Producciones - que, para assegurar o contrato, pagaram comissões milionárias a Correa e aos seus cúmplices.

DOCUMENTOS COMPROMETEDORES

A polícia encontrou no apartamento de Madrid dados da contabilidade onde estão registados 957 mil euros de comissões para Correa, por ter intermediado a favor das empresas subcontratas. Constam ainda dados sobre 230 mil euros pagos à 'Castaño Corporate', sociedade d o mesmo Correa sob gestão de Jacobo Gordon, e ainda 200 mil à 'Teconsa', a empresa que se limitou a escrever o nome no contrato e a passar os recibos oficiais.

Ao seguir o rasto deste dinheiro, os investigadores concluíram que parte dele foi remetido para o fundo usado pela rede 'Gürtel' para subornar políticos do PP.

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