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Correio da Manhã

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Referendo aos gémeos Kaczynski

A Polónia vai hoje a votos nas segundas eleições parlamentares desde a entrada do país na União Europeia (UE), em 2004. O escrutínio é esperado com grande ansiedade, dentro e fora da Polónia, pois o primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, apoiado pelo irmão gémeo Lech Kaczynski (presidente da República), fez do país um dos mais conservadores da Europa e tem criado dificuldades sérias à UE. Opõem-se, nomeadamente, à reforma das instituições europeias. O acordo de princípio sobre o novo Tratado, alcançado em Lisboa sexta-feira, terá vida dificultada com os gémeos no poder.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
O primeiro-ministro conservador Jaroslaw Kaczynski é especialmente odiado pelos jovens citadinos
O primeiro-ministro conservador Jaroslaw Kaczynski é especialmente odiado pelos jovens citadinos FOTO: Pavel Kopcznsky, Reuters
Devido à crescente animosidade contra os gémeos, alguns polacos encaram as parlamentares como um referendo. Para esses, com especial relevo para o eleitorado mais jovem, o que está em causa não é saber quem vence mas sim confirmar que os Kaczynski perdem.
As últimas sondagens trouxeram esperança renovada a estes e também aos europeístas convictos, pois dão vantagem à Plataforma Cívica (PO), de Donald Tusk, defensora da entrada rápida do país no Euro. No entanto, os 30 a 43% que lhe são atribuídos significam pouco. É que o partido Lei e Justiça (PiS), dos Kaczynski, surge em segundo lugar com 23 a 34% das intenções de voto e a margem de erro dos estudos de opinião chega aos oito por cento.
O Partido dos Agricultores Polacos (PSL), do antigo primeiro-ministro Waldemar Pawlak, surge nas sondagens apenas em quarto lugar, com cinco a oito por cento dos votos. Mas poderá estar nas suas mãos o destino imediato da Polónia, uma vez que as probabilidades de os principais partidos obterem maioria são escassas e o PSL é visto como o parceiro mais viável de coligação tanto do PiS como do PO.
CENÁRIO DE COLIGAÇÕES
Mas nesse cenário o preço a pagar pelo PiS pode ser muito elevado. Alguns analistas consideram que Pawlak só aceitará auxiliar os Kaczynski se ficar com a chefia do governo. No caso de coligação com o PO, o cenário é mais favorável, devido à proximidade ideológica entre os partidos. Recorde-se que as eleições foram convocadas apenas um ano após a chegada de Jaroslaw ao poder, devido ao colapso da coligação governativa, formada pelo PiS, pelo partido católico radical Liga das Famílias Polacas e pelos populistas de esquerda do Autodefesa da Polónia.
OS PRINCIPAIS CONTENDORES
LIBERAIS
A Plataforma Cívica (PO), liderada por Donald Tusk, defende reformas económicas liberais e uma entrada rápida na Zona Euro. O seu eleitorado é jovem e citadino.
CERCO
O partido Lei e Justiça (PiS), do primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, é conservador em matérias sociais e defende a intervenção do Estado na economia.
ALIADOS
O Partido dos Agricultores (PSL), de Waldemar Pawlak, é uma formação centrista e aliado tradicional do PO. O seu eleitorado é rural e abastado.
SAIBA MAIS
2006 marca a nomeação de Jaroslaw Kaczynski para a chefia do governo, após a demissão de Kazimierz Marcinkiewicz.
2004 é o ano da adesão da Polónia à União Europeia (UE). A vitória, um ano depois, do partido Lei e Ordem nas parlamentares significou um distanciamento da UE.
OS ‘PATOS’ NO PODER
Os gémeos Kaczynski são referidos frequentemente pelos polacos como os ‘patos’. Isto porque, em polaco, ‘pato’ escreve-se ‘kaczki’, palavra com pronúncia semelhante ao apelido dos líderes do país.
MUDANÇA
A democracia parlamentar polaca remonta a 1989, ano em que o poder comunista cedeu à pressão do Solidariedade.
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