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Correio da Manhã

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Refugiado sírio está há 125 dias a viver num aeroporto

Homem relata a sua estadia no Twitter, enquanto espera que lhe seja dado o estatuto de refugiado.
10 de Julho de 2018 às 17:35
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur
Hassan Al Kontar no aeroporto de Kuala Lumpur

Hassan Al Kontar vive há cerca de quatro meses no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia. O homem sírio aguarda pelo estatuto de refugiado e narra toda a sua estadia na sua conta Twitter.


O refugiado relata na sua página pessoal os constrangimentos e dificuldades que enfrenta todos os dias ao viver naquele espaço. Nas publicações diárias, o homem fala também do impacto a nível psicológico que esta experiência lhe tem trazido, ao viver permanentemente num local fechado. Depois de viver no aeroporto por vários meses, Hassan Al Kontar completa 37 anos na próxima sexta-feira.




De acordo com os relatos, o homem dorme debaixo de um vão de escadas, toma banho numa casa de banho pública – pela madrugada de forma a ser mais discreto – e a roupa é muito difícil de limpar por não ter sitio onde a secar, por isso muitas vezes veste as roupas ainda molhadas depois de as lavar, confessa.

Hassan Al Kontar está, desde dia 7 de março, impedido de sair do aeroporto de Kuala Lumpur. Esse impedimento ocorreu quando o refugiado sírio foi barrado ao tentar embarcar num voo de uma companhia aérea turca com destino ao Equador. Não lhe foram dadas justificações e até à data ainda não recebeu o reembolso do bilhete.

As refeições, na sua maioria à base de frango e arroz, são lhe oferecidas pelas companhias aéreas. Por vezes os funcionários do aeroporto, com quem já estabeleceu relações de amizade, oferecem-lhe fastfood e café.

O refugiado sírio está exilado desde 2011 e receia regressar ao seu país de origem pelo medo de ser preso dado que se recusou a pertencer ao exército para participar na guerra civil da Síria.

Hassan Al Kontar, depois de permanecer ilegal na Malásia com o visto expirado, tentou embarcar para o Equador. Foi impedido de voar e obrigado a voltar ao aeroporto onde permanece até à data.

"A Síria está fora de questão, mesmo que tenha de ficar aqui para sempre. Eu não quero fazer parte desta luta, eu não quero matar ninguém. Também não quero ser morto. Esta não é a minha guerra", afirma Hassan ao The Guardian. Acrescenta ainda, "não quero ser uma máquina de matar, destruindo a minha casa e causando mal ao meu povo".

Depois de várias ofertas temporárias por parte de ONG’s, na tentativa de encontrar alguma solução para o refugiado, ele rejeita e afirma "Não sei o que dizer ou o que fazer. Preciso de uma solução, preciso de um lugar seguro onde possa viver legalmente, com trabalho ".

Depois de toda a experiência relatada diariamente no Twitter de Hassan Al Kontar, um grupo de voluntários canadianos já conseguiu angariar 17 mil dólares para ajudar o homem sírio. O pedido para entrada do homem no pais já foi submetido mas as burocracias demoram mais de dois anos. Decorre então uma petição para que o Ministro da Imigração tente resolver a situação de Hassan Al Kontar.


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