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O paradeiro incerto de Juan Carlos depois de abandonar Espanha

Monarca poderá ter aceite um dos convites recebidos por parte dos amigos que, cientes das acusações de que é alvo, quiseram ajudá-lo.
Beatriz Madaleno de Assunção(beatrizassuncao@cmjornal.pt) e Correio da Manhã 4 de Agosto de 2020 às 08:40
Juan Carlos
Juan Carlos Espanha
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Juan Carlos Espanha

O Juan Carlos abandonou Espanha, mas para onde foi? Há quem defenda que o rei emérito se encontra em Portugal, no Estoril, local onde passou grande parte da adolescência e fase adulta, em família. Por outro lado, fala-se que, depois de passar pelo Porto, poderá ter voado para a República Dominicana. Ou estará em Marrocos? Nova Zelândia? O paradeiro permanece uma incógnita.

"Está onde não o encontrem. Tudo está atado e bem atado", assegurou ao El Español fonte próxima do Palácio da Zarzuela, parafraseando o discurso com que, em 1969, pelo Natal, Franco anunciou à nação que Juan Carlos seria o sucessor à frente dos destinos do país.

O jornal avança que só cinco pessoas saberão do paradeiro de Juan Carlos: o filho, rei Felipe VI; o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez; o ex-líder do CNI(Centro Nacional de Inteligência), Félix Sanz Roldán; o advogado do rei emérito, Javier Sánchez Junco e o chefe Casa Real Espanhola, Jaime Alfonsín.

Por outro lado, há quem acredite que ninguém sabe atualmente do seu paradeiro. "Ele (Juan Carlos) quer desaparecer. É tudo o que quer e procura. Paz, sossego e descanso. Penso que não estou errado se vos assegurar que nenhum amigo sabe, por enquanto, onde está", disse ao El Español um 'amigo íntimo do rei emérito.

De Espanha para a República Dominicana, passando por Portugal
De acordo com informação avançada pelo ABC, Juan Carlos viajou durante o fim de semana para Sanxenxo (Pontevedra) e dali seguiu para a cidade portuguesa do Porto, onde apanhou um avião para o aeroporto de Santo Domingo, na Republica Dominicana. 

A publicação adianta ainda que o rei poderá ter aceite um dos convites qe recebeu por parte dos amigos que, cientes das acusações de que é alvo, quiseram ajudá-lo. Entre essas pessoas, destaca-se Pepe Fanjul, dono de um complexo hoteleiro Casa de Campo, em La Romana, República Dominicana e onde se acredita que esteja o rei emérito.

A amizade remonta a várias gerações. A irmã da avó do empresário foi Edelmira Sampedro, cubana que se casou com o príncipe Alfonso, filho mais velho de Alfonso XIII, avô de Dom Juan Carlos. 

Embora os descendentes não sejam familiares, Don Juan Carlos e Pepe Fanjul têm uma relação como se fossem irmãos. 

De referir que, até ao momento, as edições dominicanas não confirmaram a presença de Juan Carlos no país mas, caso se confirme estar lá exilado, ainda não é certo que a República Dominicana seja o destino final, uma vez que o monarca espanhol chegou a apontar a Nova Zelândia como um local para onde iria caso tivesse de se exilar, uma vez que o país reúne várias atrações das quais gosta como a gastronomia e a vela. Estas declarações aconteceram há vários anos, quando Don Juan Carlos ainda era chefe de Estado e encontrava-se em boa forma física.

Emirados Árabes Unidos
O jornalista Edu Aguirre, conhecido por ter sido a 'sombra' de Cristiano Ronaldo durante a sua passagem do jogador pelo clube espanhol Real Madrid, avançou no programa 'El Chiringuito de Jugones', que o futuro de Juan Carlos poderá passar pelos Emirados Árabes Unidos.


Cinco destinos prováveis, onde Portugal não se insere
O diário El Español fez também uma compilação de cinco possíveis destinos seguros para onde o rei emérito podia ir. O primeiro é Miami que, à partida, parece não fazer sentido tendo em conta as restrições na entrada do país devido à pandemia do coronavírus. 

A Arábia Saudita também é uma das opções mencionadas mas o jornal avança que, tendo em conta o centro do escândalo de corrupção que envolve Juan Carlos no alegado negócio com o rei Abdalla caso fosse essa a sua localização, a imagem do rei emérito ainda ficaria pior.

Genebra, na Suíça, Marrocos e a República Dominicana foram, por isso, as opções mais viáveis na elaboração daquela lista. A primeira, sede das suas fundações, é discreta. A segunda, pode estar relacionada com a proximidade do rei emérito ao monarca Mohammed VI e a terceira é onde Juan Carlos mantém há décadas uma amizade forte, como explicámos acima.

Felipe VI. aceita decisão do pai
A decisão do monarca foi aceite por Filipe V. Numa carta enviada ao filho, Juan Carlos refere que a decisão foi "meditada" e que é uma sequência de "certos acontecimentos passados" relacionados com a vida pessoal do monarca.

Na origem da decisão está a repercussão pública das investigações sobre os alegados fundos em paraísos fiscais. Juan Carlos teria criado uma "offshore" através de uma doação de 65 milhões de euros da Arábia Saudita. 

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