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Correio da Manhã

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Reinado a monte

O major Alfredo Reinado, um dos principais protagonistas da crise político-militar que em Maio abalou Timor-Leste, fugiu ontem da cadeia de Becora, nos arredores de Díli, juntamente com os seus homens e dezenas de presos de delito comum. Os detidos saíram pelo portão principal da cadeia sem encontrar qualquer resistência.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
Um total de 57 reclusos, incluindo Reinado e 16 dos seus homens, terá derrubado várias paredes interiores da cadeia e saído pelo portão principal, perante os olhares impotentes dos guardas. “Estavam cerca de 60 guardas prisionais na cadeia, mas estão desarmados e não possuem comunicações ou outros meios de defesa pessoal e do recinto”, afirmou o director nacional das prisões de Timor-Leste, Manuel Exposto, adiantando que os cinco guardas que vigiavam o portão “não puderam fazer nada” para travar a fuga. O mesmo responsável lembrou ainda que a cadeia de Becora luta contra a falta de pessoal, uma vez que muitos guardas prisionais não regressaram aos seus empregos após os confrontos de Maio.
O contingente policial internacional em Timor-Leste, no qual se inclui a GNR, reforçou imediatamente a segurança nas ruas de Díli e montou controlos de estrada para tentar interceptar os fugitivos, mas sem êxito. As tropas australianas também reforçaram os patrulhamentos, e destacamentos especiais com óculos de visão nocturna, apoiados por helicópteros lançaram uma operação de caça ao homem. “Se não forem apanhados rapidamente podem desaparecer nas montanhas”, afirmou fonte próxima das forças internacionais em Díli, recordando que “ainda há muitas armas escondidas nas montanhas”.
O ministro timorense da Justiça, Domingos Sarmento, atirou as culpas para cima do contingente policial neozelandês, responsável pela segurança na região de Becora.
“Havia um acordo pelo qual as forças da Nova Zelândia estavam encarregues de fazer a segurança no exterior da cadeia, mas há cerca de uma semana deixaram o local e não nos informaram”, acusou o ministro, que adiantou ter contactado o comando australiano para o informar da situação, mas recebeu como resposta que a saída das forças do local “se devia a necessidades de colocação dos homens noutro pontos da cidade”. O ministro reconheceu ainda que a existência de forças policiais no exterior da cadeia e o facto de os guardas prisionais não terem armas “contribuíram para facilitar a fuga”.
TEMIA PELA SEGURANÇA
Paulo Remédios, advogado do major Reinado, afirmou já que o seu cliente receava pela sua segurança na prisão e chegou mesmo a alertar as autoridades para a possibilidade de ser levado a cabo um ataque contra a cadeia para libertar presos. O major Reinado, recorde-se, estava detido desde 25 de Julho, quando uma patrulha da GNR encontrou na sua posse material de guerra proibido numa casa em Díli.
DESENVOLVIMENTOS
PAREDES DERRUBADAS
Segundo um jornal australiano, os reclusos derrubaram várias paredes interiores na ala leste da cadeia antes de saírem tranquilamente pelo portão principal. Os guardas, desarmados e sem meios de comunicação, nada puderam fazer para impedir a evasão.
57 EM FUGA
As autoridades timorenses revelaram que a fuga envolveu 57 dos cerca de 200 reclusos detidos na cadeia. Para além do major Reinado e de 16 dos seus homens, fugiram vários presos de delito comum.
ONU SEM CULPA
As forças policiais da ONU não têm qualquer responsabilidade pela segurança na zona da cadeia de Becora, garantiu à Lusa Antero Lopes, o comissário português que comanda aquela força. A segurança na zona de Becora era da responsabilidade da Polícia da Nova Zelândia.
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