Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Reinado detido por posse ilegal de armas

O major Alfredo Reinado, surpreendido na terça-feira com material de guerra ilegal, está detido, juntamente com 20 homens do seu grupo, no Centro de Detenção das forças militares e policiais internacionais, no bairro de Caicoli. Ontem, começou a ser ouvido pelo Ministério Público, mas a audição acabou por ser suspensa após ter solicitado a presença dos advogados.
27 de Julho de 2006 às 00:00
Governo estuda aumento das restrições à posse de armas de fogo
Governo estuda aumento das restrições à posse de armas de fogo FOTO: Antonio Dasiparu, Epa
A prisão de Reinado foi decretada após elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) terem encontrado em três habitações, milhares de munições de espingardas e pistolas, granadas, rádios e diverso equipamento militar um dia após ter terminado o prazo estabelecido pelo governo para a entrega de armas. Refira-se que GNR fez a descoberta do arsenal após um português, a quem pertence uma das habitações, ter denunciado que lhe tinham ocupado a casa. Segundo alegou Reinado, uma das habitações – não se sabe se a do português – fora-lhe atribuída pelo presidente Xanana Gusmão.
O comandante operacional da GNR, capitão Gonçalo Carvalho, apresentou ontem à Imprensa a totalidade do arsenal que estava na posse do major Reinado.
Um grupo de oito advogados está a preparar a defesa do oficial que no início de Maio abandonou a cadeia de comando das Forças Armadas timorenses, tendo sido um dos principais protagonistas da crise político-militar ao exigir a demissão de Mari Alkatiri. Recorde-se que Reinado foi o primeiro a devolver as armas no âmbito do processo de desarmamento. Fontes judiciais adiantaram que o major e os seus homens pediram para ser ouvidos hoje.
Além de Reinado, será igualmente ouvido pelo Ministério Público timorense o brigadeiro-general Taur Matan Ruak num processo relacionado com a morte de 10 polícias em 25 de Maio.
A crise político-militar levou a que Díli pedisse a ajuda de tropas estrangeiras, nomeadamente à GNR, para garantir a segurança em Timor. Ontem, Alexander Downer, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, que tem o maior contigente militar em Timor, anunciou até ao final do ano o número de tropas vai ser reduzido. Camberra ainda não decidiu se vai destacar polícias no âmbito do mandato da ONU.
Ver comentários