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Correio da Manhã

Mundo

RELATO DE UMA FUGA AO 'INFERNO'

Mercê de uma coragem e determinação sem limites, Matthew Scott, um jovem britânico de 19 anos, escapou a um grupo de raptores armados e vagueou pela selva colombiana durante 12 dias quase sem comer.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
Matthew recuperou a alegria de viver depois do horror que passou na Colômbia
Matthew recuperou a alegria de viver depois do horror que passou na Colômbia FOTO: Peter/Reuters
Encontrado e auxiliado por uma tribo de índios, sobreviveu e regressou a Londres e ao seio da sua família. Desta feita foi um final feliz. Mas os raptos pelos rebeldes da Colômbia estão a aumentar diariamente. O país vive um autêntico drama a que o presidente Álvaro Uribe não consegue pôr fim.
"Estávamos a caminhar em fila por uma colina acima e eu caí, depois rolei por uma ravina e tirei partido da situação para fugir", afirmou Matthew a semana passada na cama dum hospital militar do Norte da Colômbia, para onde foi transferido logo que o Exército colombiano, alertado pela tribo Kogui, o resgatou.
"Tinha medo de partir um braço ou uma perna. Chovia e a visibilidade era má", afirmou Matthew, que consolidou a fuga saltando de um penhasco para um rio adivinhado pelo som da corrente.
"Na minha pressa de escapar nem sentia a fome. Mas quando tive de parar por causa da chuva, arrisquei comer frutos que tinha colhido enquanto fugia", afirmou.
Matthew foi raptado no dia 12 de Setembro com sete outros turistas que visitavam a Cidade Perdida, 950 kms a norte de Bogotá, capital colombiana, e a notícia da sua fuga bem sucedida foi divulgada no dia 24. O Exército usou informações do jovem para apertar o cerco aos rebeldes, que Matthew não soube identificar e que mantêm consigo um outro britânico, quatro israelitas, um alemão e um espanhol.
"Estava muito cansado e tinha vómitos", afirmou Mauricio, o índio que primeiro deparou com o jovem inglês na selva. "Demos-lhe comida e metemo-lo na cama enquanto um de nós foi alertar o Exército", concluiu.
"Estas pessoas deram-me sopa de feijão com um pouco de sal e três laranjas", narrou o refém, fazendo notar que essa foi a primeira refeição a sério que comeu em 12 dias. "Estou muito feliz por estar junto da família", declarou na sexta-feira. Mas continua preocupado com os companheiros que não tiveram a sua sorte.
De facto, para muitos que são sequestrados pelos rebeldes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ou do ELN (Exército de Libertação Nacional) o desenlace é menos feliz: ou morrem às mãos dos raptores, ou são vitimados pela doença e a fome, vivendo uma provação que pode prolongar-se por meses ou anos.
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