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Correio da Manhã

Mundo
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RENDIÇÃO OU MORTE

O ministro iraquiano da Defesa afirmou ontem que o assalto à mesquita de Najaf poderia estar por horas, e prometeu “destruir” as milícias lideradas pelo radical xiita Moqtada al-Sadr se estas não depusessem as armas imediatamente. Com o ataque iminente, al-Sadr voltou a dizer ontem à tarde que está disposto a negociar.
25 de Agosto de 2004 às 00:00
Cerca de 500 soldados iraquianos avançaram ontem de manhã até cerca de 400 metros dos muros do complexo da mesquita do Imã Ali, onde se encontram entrincheirados os homens de al-Sadr, os quais têm sido alvo de pesados bombardeamentos da artilharia e aviação dos EUA nos últimos três dias.
O ministro iraquiano da Defesa, Hazim al-Shalaan, fez um novo ultimato às milícias xiitas, afirmando que um assalto final poderia estar por horas. “Já falta pouco. Esta noite [ontem], as forças iraquianas vão avançar até à porta da mesquita e assumir o controlo. Apelamos aos Exército de Mehdi (milícias fiéis a al-Sadr) para depor as suas armas. Se não o fizerem serão destruídos”, ameaçou o ministro.
Horas depois deste ultimato, um porta-voz de Moqtada al-Sadr veio dizer que o líder radical xiita está disposto a retomar o diálogo com as autoridades iraquianas. “Estamos prontos para negociar e acabar com todo este sofrimento”, afirmou o porta-voz.
Não é a primeira vez que o líder radical xiita afirma estar disposto a dialogar quando sente o cerco a apertar-se. Já o fez várias vezes no passado, mas acabou sempre por recuar, prolongando o impasse, que se tornou insustentável para o governo iraquiano, o qual não emitiu ontem qualquer resposta à mais recente oferta de tréguas de al-Sadr. O silêncio poderia querer dizer que, desta vez, o ultimato era para valer.
JORNALISTA SEQUESTRADO
Um grupo armado iraquiano anunciou ontem ter sequestrado um jornalista italiano e ameaçou executá-lo dentro de 48 horas se a Itália não anunciar a retirada das suas tropas do Iraque.
Como tem acontecido com outros reféns, a cadeia de Televisão al-Jazeera mostrou imagens do jornalista, identificado como Enzo Baldoni, de 56 anos, cujo desaparecimento tinha sido divulgado na semana passada. O governo italiano de Silvio Berlusconi fez saber de imediato que não vai ceder à chantagem e afirmou estar a fazer tudo ao seu alcance para conseguir libertar Baldoni.
Um outro grupo iraquiano anunciou, entretanto, a libertação de um motorista libanês sequestrado no início de Agosto.
VIOLÊNCIA SEM FIM
ATENTADOS EM BAGDAD
Os ministros iraquianos da Educação e do Ambiente, Sami al-Mudhaffar e Mishkat Mouni, escaparam por pouco a atentados bombistas separados em Bagdad, que provocaram a morte a cinco pessoas e já foram reivindicados pelo grupo liderado pelo terrorista Abu Musab al-Zarqawi, tido como o “representante” da al-Qaeda no Iraque.
FALUJA BOMBARDEADA
Forças norte-americanas lançaram ontem de madrugada ataques aéreos contra alguns edifícios em Faluja, usados como esconderijos de armas dos rebeldes iraquianos. Vários ataques aéreos têm sido levados a cabo nos últimos meses naquela cidade, onde alegadamente se encontram terroristas ligados a Abu Musab al-Zarqqwi, aliado de bin Laden.
ATAQUES EM AMARA
Milicianos fiéis a Moqtada al-Sadr lançaram granadas e morteiros contra a residência do governador da cidade de Amara, no sul do Iraque.
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