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Correio da Manhã

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Resgate aguarda por auditorias

O governo espanhol desmentiu ontem notícias que davam conta de que o pedido de resgate financeiro ao país poderia ser anunciado já hoje. Madrid condiciona a sua decisão aos resultados das avaliações à Banca por parte do FMI e, sobretudo, a auditorias independentes.
9 de Junho de 2012 às 01:00
O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, assegurou há poucos dias que não haveria resgate ao país
O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, assegurou há poucos dias que não haveria resgate ao país FOTO: susana vera/reuters

"Não há decisões tomadas em nenhum sentido", garantiu Soraya Saénz de Santamaría, vice-presidente do executivo, após reunião do Conselho de Ministros. "Neste momento, o governo está a trabalhar com o FMI e os avaliadores sobre o valor de que o nosso sistema financeiro necessita para um saneamento completo", acrescentou. "[O governo] deve respeitar os procedimentos antes de uma decisão", justificou Santamaría, quando questionada sobre se o resgate poderia ser anunciado hoje. Refira-se que os resultados das auditorias serão conhecidos dentro de 10 a 15 dias. O FMI, recorde-se, aponta necessidades na ordem dos 40 mil milhões.

Num comunicado ontem emitido pelo Ministério da Economia e Banco de Espanha, em que são definidas ao detalhe as formas para avaliar a situação do sector financeiro, é referido, explicitamente, que a Banca espanhola terá de realizar um terceiro processo de provisões e injecções de capital quando terminarem e forem conhecidas as análises independentes ao sector.

Saliente-se que há apenas dez dias, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, assegurou que não haveria qualquer resgate, possibilidade que agora já não é descartada.

Contrariando Madrid, o vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, admitiu ontem que o pedido de resgate pode mesmo ser accionado ainda hoje, dia em que os ministros das Finanças da Zona Euro vão debater, em teleconferência, esta questão.

 

O que é o resgate financeiro?

–Mecanismo que permite financiar a recapitalização de entidades financeiras através do empréstimo a países, com recurso ao mecanismo de resgate europeu.

Quando se estabeleceu?

– O resgate de um país para recapitalizar o sector financeiro está previsto pela União Europeia desde 2011. Na cimeira de 21 de Julho, os líderes da UE decidiram flexibilizar o uso de dois mecanismos de resgate.

Quem financia o resgate?

– A Europa tem dois fundos de resgate. Um, já em vigor, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), é temporal e vigora apenas até 2013. O outro, permanente, é o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e entrará em vigor em Julho. O dinheiro destes dois fundos provém da contribuição dos países-membros e do endividamento dos mesmos graças aos avales.

 

Grécia tenta evitar ruptura na energia

 

Companhias gregas abastecedoras de energia procuram empréstimos bancários de emergência para pagar a fornecedores e evitar cortes generalizados de electricidade e gás durante a época turística. A companhia de gás DEPA está em conversações com bancos na tentativa de obter financiamento. Também a empresa que gere o sistema de electricidade equaciona um empréstimo de emergência, que evitará a ruptura por algumas semanas.

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