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Revista Rolling Stone e jornalista condenados por difamação

Artigo teve mais de 2,7 milhões de visitas na internet.
8 de Novembro de 2016 às 07:28
O artigo com o título "uma violação no campus"
O artigo com o título 'uma violação no campus' FOTO: Direitos Reservados
A revista norte-americana Rolling Stone e uma das suas jornalistas foram condenadas na segunda-feira a pagar três milhões de dólares a uma administradora da Universidade da Virgina por difamação num artigo sobre uma alegada violação.

O artigo com o título "uma violação no campus", escrito pela jornalista Sabrina Rubin Erdely, contava o caso de uma suposta agressão sexual coletiva a uma rapariga e esteve na origem de um escândalo nos Estados Unidos, em 2014.

A administradora da universidade Nicole Eramo, citada no artigo, processou a revista e a jornalista por considerar que a tinham caricaturado como a "principal vilã" do caso.

Após um julgamento de duas semanas e algumas horas de deliberação, o jurado considerou a revista, a sua editora (Wenner Media) e a jornalista culpadas de difamação com "malícia".

A jornalista foi condenada a pagar dois milhões de dólares a Nicole Eramo e a revista e a editora mais um milhão.

O artigo teve mais de 2,7 milhões de visitas na internet e reavivou o debate nos EUA sobre o alegado machismo das fraternidades universitárias.

Segundo o artigo, a estudante violada contactou os responsáveis da universidade para se queixar, mas ninguém deu seguimento ao seu caso, colocando em causa a atuação de Nicole Eramo.

No entanto, outros meios de comunicação social começaram a investigar a história e lançaram dúvidas sobre a sua veracidade.

A própria Rolling Stone acabou por pedir à escola de jornalismo da Universidade de Columbia para fazer um relatório sobre o caso. A conclusão foi que o artigo tinha tido várias falhas na sua elaboração e edição.

Além disso, um inquérito interno na universidade e outro da polícia não recolheram provas para sustentar o que estava escrito no artigo e as declarações da alegada vítima foram contraditórias.

A revista acabou por se desculpar em 2015.
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