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Correio da Manhã

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Revolta militar fracassa

As autoridades turcas detiveram ontem mais 18 militares envolvidos numa alegada conspiração para derrubar o governo islamita do país, na segunda operação do género em menos de uma semana. O caso veio aprofundar ainda mais a desconfiança entre o governo e os militares, acérrimos defensores da Constituição secular do país e que nunca viram com bons olhos a chegada ao poder de um partido islamita.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Um dos militares detidos à chegada ao tribunal de Istambul
Um dos militares detidos à chegada ao tribunal de Istambul FOTO: Tolga Bozoglu/Epa

A nova vaga de detenções ocorreu em 13 cidades e visou 17 militares no activo e um na reforma. Estas detenções juntam-se a outras 49 realizadas no início da semana e que envolveram também militares no activo e na reforma. Trinta e um desses primeiros detidos foram já formalmente acusados de conspiração para derrubar o governo, enquanto os restantes foram colocados em liberdade, a aguardar o desenrolar das investigações. É o caso dos três militares mais graduados detidos na segunda-feira - o ex--comandante da Força Aérea, general Halil Firtina, o ex-comandante da Armada, general Ozden Ornek, e o antigo comandante da I Divisão do Exército, general Ergin Saygun -, cuja libertação terá servido para tentar serenar os ânimos no meio castrense.

As detenções estão ainda relacionadas com a ‘Operação Marreta’, um alegado plano do Exército para derrubar o governo islamita em 2003, pouco após a chegada ao poder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento. Segundo o jornal ‘Taraf’, que em Janeiro revelou a alegada conspiração, os envolvidos pretendiam fazer explodir bombas em mesquitas e provocar a vizinha Grécia, levando-a a derrubar um avião de passageiros turco, de modo a criar uma situação de caos e instabilidade que forçasse os militares a intervir e derrubar o governo islamita.

O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, apelou ontem à calma, garantindo que todos aqueles que conspiraram contra o Estado serão julgados.

RECRUTAVAM TERRORISTAS CURDOS

A polícia italiana deteve 11 pessoas suspeitas de recrutar imigrantes curdos para se juntarem ao grupo separatista PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que luta por uma pátria curda no Sudeste da Turquia. As investigações levaram à descoberta de três campos de treino de mulheres terroristas em Itália e França.

SAIBA MAIS

OCIDENTALIZAÇÃO

A proibição da poligamia, em 1926, a passagem ao alfabeto latino, em 1928, e a adopção do domingo em vez da 6.ª feira muçulmana como descanso semanal, em 1935, ocidentalizaram a República da Turquia, que sucedeu a 600 anos de império otomano.

3,8 milhões de desempregados (16,2%) contava a Turquia no final de 2009, e isto fora a agricultura, que ainda pesa 30% da população activa.

HÁBITOS GOLPISTAS

Criada nos anos 20 por Ataturk, general comandante de divisão, a Turquia, na NATO desde 1952, depende de militares, autores de vários golpes nos anos 60 e capazes de enforcar dirigentes políticos.

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