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Correio da Manhã

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Houve mais de 500 tiroteios no Rio de Janeiro no primeiro mês do ano

Número foi divulgado por aplicação criada para avisar a população dos locais onde estão a ocorrer confrontos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 1 de Fevereiro de 2018 às 11:51
Favela do Rio de Janeiro
Favela do Rio de Janeiro
Favela do Rio de Janeiro
Favela do Rio de Janeiro
Favela do Rio de Janeiro
Favela do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, que já foi mundialmente conhecido como a "Cidade Maravilhosa", teve, só durante o mês de Janeiro, mais de 500 confrontos armados, que mataram criminosos, agentes das forças de segurança e inocentes, e colocaram em altíssimo risco a vida de habitantes e turistas. O impressionante número, que mais parece referir-se a uma cidade num país em guerra, foi levantado e divulgado pela aplicação "Onde tem tiroteio" (OTT), criada para avisar a população dos locais onde estão a ocorrer confrontos e tentar dessa forma salvar vidas.

Nessa conta não estão incluídos tiros que são disparados por ladrões durante um assalto, por exemplo, ou em rixas entre cidadãos desavindos. Esses mais de 500 confrontos armados referem-se apenas a grandes tiroteios, que por vezes duram horas e nos quais são usadas armas de guerra, como fuzis (rifles de alto poder ofensivo) como os AK-47 e AR-15, além das temidas metralhadoras .50, capazes de furar blindagens e de derrubar aeronaves.

Os conflitos relacionados na APP "Onde tem tiroteio" têm geralmente duas origens, disputa armada de criminosos pelo controle do tráfico de droga numa determinada favela, ou confrontos entre criminosos e a polícia. Seja qual for a origem, ao longo do mês de Janeiro não houve um dia sequer em que moradores de alguma região da cidade, em alguns dias várias, não ficassem no meio de fogo cruzado.

Outro dado que chama a atenção neste levantamento é que as regiões campeãs de tiroteios possuem as chamadas UPPs, Unidade de Polícia Pacificadora, criadas anos atrás exactamente para garantirem a segurança da população através do reforço de policiamento com agentes especialmente treinados para interagirem com os habitantes. Nesse caso estão as quatro favelas onde mais se registaram confrontos armados no mês passado, Cidade de Deus, Rocinha, Jacarézinho e Vila Kennedy, todas oficialmente pacificadas mas onde os criminosos continuam a mandar.

Na Cidade de Deus, favela que já foi visitada até pelo falecido rei do pop Michael Jacson e pelo então presidente dos EUA Barack Obama, ao longo dos 31 dias do mês de Janeiro ocorreram nada menos do que 41 confrontos armados, enquanto que na segunda colocada, a Rocinha, se registaram 32 tiroteios. Na favela do Jacarézinho, onde, curiosamente, fica a chamada Cidade da Polícia, que concentra o comando das polícias fluminenses e as principais unidades de elite, foram 23 tiroteios, e na Vila Kennedy 13.

Por causa desses confrontos, diariamente milhares de pessoas foram forçadas a trancar-se em casa, onde, quantas e quantas vezes, acabam assim mesmo por ser atingidas por balas perdidas, milhares de alunos ficaram sem aulas e o comércio foi obrigado a fechar. Também diariamente, e, como aconteceu esta quarta, às vezes várias vezes por dia, os tiroteios obrigaram ao fechamento das três principais vias do Rio, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela, com os motoristas a tentar fugir na contramão ou, os que não podem sair do lugar, a tentar proteger-se atrás ou debaixo dos carros. 
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