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Correio da Manhã

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ROUPA SENSUAL PARA CRIANÇAS ESCANDALIZA

A cadeia britânica de grandes armazéns British Home Stores (BHS) retirou do mercado uma linha de roupa interior “sexy” para crianças, depois de inúmeras queixas de pais e organizações de apoio à criança, revoltados com o que consideraram uma iniciativa “vergonhosa” e “imprudente”.
27 de Março de 2003 às 00:45
Símbolo dos armazéns BHS
Símbolo dos armazéns BHS FOTO: Direitos Reservados
A linha de ‘lingerie’, baseada na série de animação ‘Little Miss Nau-ghty’, incluía ‘soutiens’ para aumentar o peito e cuecas sensuais para meninas com idades a partir dos sete anos, facto que suscitou violentas críticas das organizações caritativas ‘Childline’ e ‘Kidscape’.
“Há que perguntar por que razão uma menina com idade inferior a 10 anos precisaria de usar um ‘soutien’ com chumaços para aumentar o peito. É idiota da parte de uma companhia tão reputada como a BHS estar a vender produtos destes”, afirmou Michelle Elliott, directora da ‘Kidscape’.
A polémica foi suscitada pelo alerta de Linda Foster, de Gateshead, que ficou chocada ao ver os ‘soutiens’ na montra de uma loja de Northum-berland Street, em New-castle.
“Penso que dirigir estes produtos a meninas com idades tão tenras como sete anos é vergonhoso, e deixa no ar a mensagem errada para os pais, as crianças e as pessoas que delas abusam”, afirmou, sublinhando que se trata de “vender sexo a crianças”, numa altura em que as meninas deveriam estar a brincar com bonecas e não a “tentar ficar mais sensuais”.
“UMA BRINCADEIRA INOFENSIVA”
Reagindo a esta polémica, a BHS retirou do mercado as cuecas ‘sexy’, mas decidiu continuar a comercializar os ‘soutiens’. Um porta-voz da BHS justificou a decisão salientando que os ‘soutiens’, em várias cores e com um preço de cerca de 8 libras, são destinados a raparigas mais velhas e, quanto à polémica, considerou a linha de roupa interior “uma brincadeira inofensiva”.
O porta-voz da BHS salientou ainda que a sua empresa “leva muito a sério a responsabilidade de vender roupas adequadas às crianças”.
William Kid, da ‘Childline’, não é da mesma opinião. “Pensamos que alguém que vende e publicita roupas para crianças e jovens tem a responsabilidade de ter em mente o bem-estar e os interesses das crianças”, afirmou, salientando a importância das mensagens que uma campanha publicitária pode passar para o público em geral e, neste caso, para as crianças em particular.
A directora da Kidscape foi mais longe, considerando que “se os destinatários destas peças de roupa são crianças com idades inferiores a 10 anos, então os seus autores precisam ir rapidamente ao psiquiatra”.
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