Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
5

Rússia e China em jogos de guerra

300 mil efetivos militares, mais de mil aviões de combate e navios de guerra vão participar nos exercícios.
Francisco J. Gonçalves 29 de Agosto de 2018 às 09:40
Manobras bélicas na Rússia FOTO: Reuters
A Rússia vai realizar no próximo mês as mais vastas manobras militares desde o fim da Guerra Fria. Os jogos de guerra vão envolver 300 mil efetivos, mais de mil aviões de combate e duas frotas navais russas. Os exercícios decorrerão no centro e leste da Rússia com a participação de forças da China e da Mongólia.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, comparou as manobras militares com as Zapad-81, realizadas em 1981 pela União Soviética, apesar de, como frisou, "em alguns aspetos serem mais vastas".

Shoigu adiantou que os jogos de guerra decorrerão entre os dias 11 e 15 de setembro e vão incluir, além dos meios já referidos, 36 mil tanques, blindados de artilharia e de transporte de pessoal. A China deverá enviar 3200 efetivos do seu comando norte e 30 aviões e helicópteros de combate de de transporte de pessoal.

Respondendo às críticas da NATO, que considerou as manobras como uma ameaça gratuita e uma preparação para uma guerra de grande envergadura, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os treinos são justificados "na presente situação internacional, que é, com frequência, muito agressiva e pouco amigável em relação à Rússia".

Peskov foi evasivo quando questionado sobre se o envolvimento da China significa que os dois países estão à beira de uma aliança estratégica, limitando-se a considerar que revela que os dois países estão a cooperar em todas as áreas.

A escala imensa dos meios envolvidos nas manobras do próximo mês na Rússia é equivalente às forças que combateram em algumas das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial.

PORMENORES
Visita de Shinzo Abe
O primeiro-ministro russo, Shinzo Abe, participa num fórum na cidade russa de Vladivostok em setembro, coincidindo com as datas previstas das vastas manobras militares. O Japão, a grande potência asiática até ao final da Segunda Guerra Mundial, teme uma aliança militar entre a China e a Rússia.

Tensão com a NATO
Os exercícios militares russos surgem numa altura de tensão crescente entre a Rússia e a NATO. Moscovo tem criticado repetidamente a reação agressiva da UE e da NATO após a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, situação agravada pelo apoio russo aos rebeldes do Leste da Ucrânia.

Reforço de frota no Mediterrâneo
A Rússia enviou várias fragatas para o Mediterrâneo, através do estreito do Bósforo, naquilo que a imprensa russa designa como o maior reforço de meios marítimos de combate desde que em 2015 o país entrou na guerra da Síria para apoiar o regime de Bashar al-Assad. O reforço de meios da Rússia surge, aliás, numa altura em que Assad terá em preparação um assalto ao último grande bastião dos rebeldes, em Idlib, no norte da Síria. Moscovo tem acusado os EUA de reforçarem meios de guerra no Médio Oriente para um ataque às forças do regime sírio.

Putin condena ameaça da NATO
As manobras ordenadas pelo presidente russo surgem em resposta aos exercícios do mês passado da NATO, no Mar Negro, com participação de tropas ucranianas. Putin condenou essas manobras como uma provocação gratuita.

Compra de armas russas preocupa
O secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, admitiu ontem que a compra de um sistema de defesa antimíssil por parte da Turquia à Rússia está a causar preocupação. "Não podemos integrar um sistema desses na NATO", afirmou Mattis sobre o negócio da Turquia, país que possui as segundas mais poderosas Forças Armadas da Aliança Atlântica, a seguir aos EUA. Washington ameaça suspender um negócio de venda de caças de guerra à Turquia se o negócio com a Rússia for por diante.

NATO envia supervisor
Dylan White, porta-voz da NATO, disse que a Rússia informou sobre as manobras em maio e que convidou um supervisor. Apesar disso, criticou a Rússia por estar a realizar "exercícios para um conflito de larga escala".


Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)