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Correio da Manhã

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Rússia envia tropas para a Ucrânia

Parlamento russo aprova pedido do presidente Vladimir Putin para ação militar no país vizinho. Governo de Kiev prepara mobilização geral e promete defender-se de agressão externa.
1 de Março de 2014 às 21:56
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Crimei, rússia, ucrânia, putin, tropas, parlamento, invasão, conflito FOTO: AFP

O Parlamento russo aprovou ontem o envio de tropas para a Ucrânia, citando a necessidade de proteger os cidadãos russos ali residentes. Desde sexta-feira que tropas russas ocupam pontos estratégicos na península da Crimeia, e qualquer resposta do governo ucraniano poderá provocar uma guerra aberta.

Um porta-voz do Kremlin garantiu ontem que Putin "ainda não tomou qualquer decisão" sobre a invasão, mas a realidade no terreno desmente-o. Tropas russas tomaram na sexta-feira o parlamento regional da Crimeia e os aeroportos de Sebastopol e Simferopol, onde aterraram nas últimas horas dezenas de aviões militares. Colunas de veículos blindados foram vistas em vários pontos da região e tropas russas cercavam ontem diversas bases da Guarda Fronteiriça ucraniana. Não houve, para já, derramamento de sangue, mas a tensão é grande.

O anúncio da intervenção russa foi recebido em Kiev com incredulidade. "A guerra começou", afirmou, na Praça Maidan, o ex-ministro do Interior Yuri Lutsenko. O presidente interino Oleksander Turchynov colocou as forças de defesa em alerta máximo e avisou que uma intervenção "conduziria à guerra", enquanto Vitaly Klitschko, líder dos protestos que levaram à deposição de Yanukovich, apelou à "mobilização geral".

Obama diz que ação militar "terá custos"

O presidente norte-americano Barack Obama advertiu na sexta-feira a Rússia de que uma intervenção militar na Ucrânia "terá custos", embora sem especificar qual será a resposta dos EUA e da comunidade internacional. "Estamos muito preocupados com os relatos de movimentações militares russas na Ucrânia.

Os EUA e a comunidade internacional garantem que tal ação terá custos. Uma intervenção militar seria profundamente desestabilizadora", avisou Obama. Segundo diplomatas, os EUA não estão a equacionar uma resposta militar, mas antes diplomática e comercial, como sucedeu após a invasão russa da Geórgia em 2008. O boicote à cimeira do G8, que deverá realizar-se na Rússia, é uma das opções.

Revolta pró-russa alastra 

Centenas de manifestantes pró-russos atacaram ontem o parlamento regional de Kharkiv e envolveram-se em violentos confrontos com a polícia e com apoiantes das novas autoridades de Kiev, num sinal de que a revolta está a alastrar a várias regiões pró-russas do leste da Ucrânia.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas nos confrontos, tendo os manifestantes conseguido tomar o edifício e hastear uma bandeira russa. Também na cidade de Donetsk, mais de 10 mil pessoas protestaram contra o governo ucraniano e pediram a proteção da Rússia.

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