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S. Paulo: Assalto milionário começa a ser desvendado

A polícia da cidade brasileira de São Paulo começou finalmente a desvendar um dos mais audaciosos e lucrativos assaltos a banco já levados a cabo no país, perpetrado no final de Agosto, durante o qual um bando de criminosos fortemente armados ficou uma madrugada inteira no subsolo de uma agência do Banco Itaú na Avenida Paulista, centro financeiro da cidade, arrombando um a um 170 cofres particulares onde milionários guardavam jóias, dólares, libras, euros e outras divisas.
17 de Setembro de 2011 às 12:35
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assalto, banco, são paulo, brasil FOTO: Ricardo Cabral

Depois da prisão de um pedreiro de 29 anos que chamou a atenção ao começar a comprar bens incompatíveis com a sua renda, agentes do DEIC, Departamento de Investigações Contra o Crime Organizado, já identificaram outros três suspeitos e acreditam que podem esclarecer o roubo e prender toda a quadrilha.

O pedreiro foi preso na zona norte de São Paulo, mas foi na casa dele, num município vizinho, Embu das Artes, que a polícia encontrou jóias que podem fazer parte das que foram roubadas do Itaú. Além de várias jóias de alto valor, na casa do pedreiro e da namorada dele foram encontradas ainda várias pedras preciosas e valores em dinheiro, nomeadamente 10.840 libras esterlinas.

Segundo a polícia, o pedreiro não participou do assalto mas é irmão de um cabeleireiro de 45 anos que fez parte do grupo de 10 a 12 criminosos que invadiram a agência. O irmão deu-lhe parte dos objectos roubados que lhe couberam na partilha como uma espécie de “cala boca”, para o pedreiro não o denunciar. Só que o homem, deslumbrado com a inesperada fortuna, começou a adquirir bens que chamaram a atenção, nomeadamente uma Ford Montana encontrada na garagem da sua casa e que foi paga a pronto com maços de dólar.

De acordo com a polícia, além do cabeleireiro, já foram identificados outros dois participantes no assalto, e agentes espalhados por toda a área metropolitana de São Paulo caçam exaustivamente esses suspeitos e tentam identificar os outros. Para a polícia paulista, a captura desse bando é uma questão de honra, pois a corporação foi bastante criticada, inclusive pelo secretário de Segurança Pública, devido às trapalhadas envolvendo esse caso. Apesar de o assalto ter ocorrido no fim de semana de 27 e 28 de agosto, a esquadra da área só registou o caso cinco dias depois, e só mais três dias após o comunicou ao DEIC, que tem um departamento especializado em roubos a bancos.

AUDÁCIA E FRIEZA

Dois criminosos chegaram à agência, localizada na esquina da Avenida Paulista com a Rua Frei Caneca, pouco antes das 24 horas do sábado, 27 de Agosto. Partindo uma montra lateral de vidro, invadiram a agência rapidamente e dominaram o único segurança do local, desactivando em seguida o sistema de alarme. Depois, abrindo a porta da frente, deixaram entrar os demais membros da quadrilha, todos fortemente armados e equipados com ferramentas sofisticadas.

Deixando o segurança, desarmado e sob ameaça, na sua mesa, perto da porta, para dar um ar de normalidade caso um supervisor passasse pela agência, por exemplo, os assaltantes foram para o subsolo, onde ficam os cofres particulares que milionários alugam para guardarem coisas de alto valor que não querem ter em casa por medo de assaltos, e ficaram lá até meio da manhã de domingo, arrombando um por um os 170 cofres repletos de jóias e dinheiro.

Durante a noite, alguns dos assaltantes saíram e foram comprar comida e bebida, e, ao amanhecer, quando outro segurança chegou para substituir o da noite, foi igualmente rendido e deixado, como acontecera com o primeiro, no seu posto. Os assaltantes saíram a meio da manhã de domingo, com a mesma tranquilidade com que passaram a noite na agência.

Não se sabe até hoje o que e quanto foi roubado. Como os cofres são particulares, os seus proprietários não são obrigados a informar ao banco o que guardam lá dentro, e normalmente não o fazem. Mas um dos únicos três donos de cofres assaltados que foi à polícia informou que os ladrões levaram, só dele, quase dois milhões de euros em jóias, fora outros valores. A esmagadora maioria das vítimas, no entanto, preferiu não dar queixa, e há notícias de que optaram por contratar detectives particulares e até agentes de polícias estrangeiras para tentarem localizar e recuperar os seus valiosos bens.

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