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Correio da Manhã

Mundo
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S. Tomé às escuras

O país de lindas paisagens, povo acolhedor e praias paradisíacas para mergulho está às escuras. S. Tomé voltou a mergulhar na escuridão por falta de energia. Desde há três semanas que os serviços estão paralisados e os prejuízos são elevados porque, presume-se, a Empresa de Água e Energia (EMAE) decidiu racionalizar mais uma vez o fornecimento de energia.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Os responsáveis da EMAE alegam que não têm dinheiro para comprar com regularidade o combustível à Empresa Nacional de Combustíveis e Óleo (ENCO), facto que a leva a fornecer electricidade apenas em determinados períodos do dia.
Mas um responsável do Ministério dos Recursos Naturais e Ambiente adiantou ao CM que “o problema não tem nada a ver com a falta de dinheiro para comprar o combustível, mas sim com a má gestão da direcção da EMAE”.
Por essa razão, acrescentou o referido responsável, “estamos a preparar um projecto que passa pela nomeação de um novo gestor e de outros métodos de trabalho”. Contudo, a fonte não soube dizer quando é que o problema será resolvido.
A falta de energia em S. Tomé é um problema que existe há muitos anos e que tem causado muitos problemas.
DÍVIDAS
Depois de uma fase em que houve uma certa estabilidade no fornecimento de energia, eis que, desde há três semanas, a luz voltou a faltar e os mais prejudicados são as populações que pagam caro a energia que consumem e que, muitas vezes, não a têm ao longo do ano.
Desta vez, o que está em causa, apurou o CM, são as dívidas que envolvem a EMAE, o Governo e a ENCO. A EMAE reclama que não tem dinheiro para comprar combustível porque o Governo lhe deve 370 mil euros. A ENCO afirma que não pode continuar a vender o combustível a crédito à EMAE porque essa empresa deve-lhe 900 mil euros.
Assim, a ENCO passou a fornecer combustível à EMAE apenas a pronto pagamento. Como a EMAE não tem dinheiro para comprar todos os dias combustível que chegue para fornecer os geradores, vê-se obrigada a racionalizar a distribuição da luz. A EMAE quis aumentar em mais 25% a tarifa de energia, mas o Governo não a autorizou.
Difícil de entender é o facto de a ENCO ser uma empresa mista em que o capital do Estado é maioritário e a EMAE é uma empresa nacional mas com gestão privada. O pedido de demissão em bloco dos cinco directores da EMAE, há uma semana, não foi aceite pelo ministro da tutela. “É apenas uma questão de tempo”, concluiu a fonte.
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