Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Saddam desafiador volta a insurgir-se contra juiz

O antigo ditador iraquiano, Saddam Hussein, voltou ontem a insurgir-se contra o juiz do Tribunal Especial iraquiano e as ‘forças de ocupação’ na segunda sessão do seu julgamento, na qual foi ouvido o depoimento gravado da primeira testemunha, um antigo agente dos serviços secretos iraquianos falecido no mês passado.
29 de Novembro de 2005 às 00:00
 Saddam até protestou por o elevador estar avariado
Saddam até protestou por o elevador estar avariado FOTO: Ben Curtis/Reuters
Mantendo a postura arrogante e desafiadora da primeira sessão, realizada a 19 de Outubro, Saddam, que chegou quase dez minutos atrasado à sala de audiências, começou por protestar acesamente com o juiz Rizgar Mohammed Amin por ter sido forçado a subir os quatro andares do tribunal pelas escadas, devido a uma avaria no elevador. Quando o juiz lhe respondeu que ia comunicar o caso à polícia para que fossem tomadas medidas, Saddam retorquiu iradamente: “Não quero que os informe, quero que lhes dê ordens. Eles são invasores e ocupantes e têm de receber ordens”, vociferou Saddam.
Sem se deter, o antigo ditador queixou-se de seguida da prepotência dos guardas, que não lhe removeram as algemas antes de entrar na sala e lhe retiraram o bloco de apontamentos e a caneta que trazia consigo. “Como posso defender-me se nem posso tomar apontamentos?”, questionou.
Saddam e sete antigos colaboradores estão a ser julgados por crimes contra a Humanidade, pelo massacre de mais de 140 habitantes da pequena localidade de Dujail, na sequência de uma tentativa de assassinato falhada contra o antigo presidente, em 1982.
Ontem foi ouvida em tribunal a primeira testemunha, o antigo agente da segurança estatal Wadah al-Sheikh, cujo testemunho foi gravado no mês passado, dias antes de morrer de cancro. No depoimento que foi exibido na sala de audiências, al-Sheikh relatou como centenas de habitantes da aldeia foram levados pelas forças de segurança após a tentativa de assassinato e afirmou que os próprios guarda-costas de Saddam participaram na matança.
A sessão foi suspensa após cerca de três horas e só deverá ser retomada a 5 de Dezembro, para que alguns dos arguidos tenham tempo de arranjar novos advogados, depois de dois defensores terem sido assassinados em Outubro e um terceiro ter fugido do país com medo de igual destino.
Antes de dar por concluída a sessão, o juiz Amin autorizou a adição de dois novos elementos à equipa de advogados de Saddam Hussein, com o papel de conselheiros. Trata-se de Ramsey Clark, antigo procurador-geral dos Estados Unidos e conhecido activista dos direitos cívicos, e Najeeb al-Nauimi, ex-ministro da Justiça do Qatar, o qual aproveitou desde já para contestar a legitimidade do tribunal e afirmar que o julgamento não deveria prosseguir enquanto não estivesse garantida a segurança das equipas de defesa.
MANIFESTAÇÕES
À hora a que decorria a segunda sessão do julgamento, centenas de pessoas manifestavam-se na aldeia de Dujail para exigir a execução de Saddam e dos seus comparsas, ao mesmo tempo que, na terra natal do antigo ditador, Tikrit, um grupo de apoiantes desfilava pelas ruas empunhando fotografias e gritando vivas a Saddam.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)