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Correio da Manhã

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SADR DESAFIA ALLAWI

Numa visita surpresa a Najaf, palco dos mais violentos confrontos da onda de violência que varre o Iraque, o primeiro-ministro Iyad Allawi instou os rebeldes xiitas a desarmar e abandonar a cidade santa, mas em resposta as milícias de Moqtada al-Sadr reforçaram as suas posições num antigo cemitério que lhes tem servido de refúgio, colocando minas em volta das criptas e mausoléus. Sadr, por seu lado, desafiou Allawi e, em comunicado, rejeitou a ordem do primeiro-ministro.
9 de Agosto de 2004 às 00:00
As milícias radicais xiitas recusam retirar e pôr fim à violência
As milícias radicais xiitas recusam retirar e pôr fim à violência FOTO: Ali Jasim (Reuters)
"Não há negociação com milícias que erguem armas contra o Iraque e o povo iraquiano", afirmou Allawi em Najaf, que visitou rodeado por apertadas medidas de segurança. "Penso que os atiradores deveriam deixar de imediato os lugares santos, baixar as armas e voltar ao respeito pela lei e a ordem", acrescentou.
Allawi evitou, no entanto, qualquer referência directa a al-Sadr. Aliás, no dia anterior o líder do governo interino foi mesmo ao ponto de afirmar que a violência em Najaf e outras cidades estava a ser fomentada por criminosos a coberto do nome do radical xiita e convidou mesmo Sadr a participar nas eleições democráticas agendadas para 2005.
Aludindo a este facto, Sadr comentou, por intermédio de Hazim al-Ajari, porta-voz de Sadr: "Ontem pediu a al-Sadr para se juntar ao processo eleitoral, e hoje pede-nos para desarmar. Está apenas a tentar pescar em águas turvas". Esclarecendo que a entrega das armas nem mesmo foi pedida pela Maryaiya, conselho de clérigos xiitas, Ajari acusou Allawi de fazer uma política "dúplice" e ambígua.
Passando o desafio das palavras aos actos, os radicais, entrincheirados no antigo cemitério da cidade santa, dispersaram minas por pontos estratégicos de acesso ao perímetro, que foi cercado por tropas dos EUA com a intenção de cortar o fornecimento de víveres. Paralelamente, apenas escassas horas após o aviso de Allawi, dois helicópteros norte-americanos atacaram outras posições xiitas na cidade santa, onde pelo menos 21 pessoas foram mortas nas últimas 24 horas. Também em Sadr City, bairro xiita de Bagdad, os recontros mantiveram ontem grande intensidade, tendo vitimado 22 pessoas, segundo a mesma fonte iraquiana.
PENA DE MORTE REINSTAURADA
Apesar dos apelos da União Europeia, o governo iraquiano anunciou ontem a reinstauração da pena de morte, que ficará oficialmente em vigor logo que o diploma legal seja publicado, podendo vir a ser aplicada ao ex-ditador Saddam Hussein. Suspensa em Abril de 2003, após o derrube do ditador, a pena máxima será aplicada aos crimes de homicídio, rapto e tráfico de drogas.
O ministro de Estado, Adnan al-Janabi, justificou a decisão com a "situação de segurança no Iraque", onde, apesar da transferência de poderes, a 28 de Junho, a violência radical aumentou.
DESENVOLVIMENTOS
RAPTADO
O cônsul do Irão em Kerbala foi raptado por milícias iraquianas que o acusam de incitar à “violência sectária e agir para lá da diplomacia”. O Irão confirmou o rapto.
ATENTADO
Um efectivo da Guarda Nacional do Iraque foi morto e outro ficou ferido quando a sua viatura passou por cima de uma mina durante uma patrulha a norte de Bagdad.
AMEAÇA
Um grupo que se diz ligado à al-Qaeda alertou El Salvador para retirar as suas forças do Iraque ou seria alvo de ataques. O aviso foi colocado num ‘site’ da internet.
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