Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Sairemos do Iraque quando eu for eleita

No primeiro frente-a-frente da campanha para as presidenciais norte-americanas, oito candidatos democratas confrontaram-se na noite de quinta-feira (madrugada em Lisboa) num aceso debate que decorreu na Universidade estatal da Carolina do Sul, conhecida por ser maioritariamente frequentada por negros, cujos votos são disputados pelos dois principais protagonistas: Hillary Clinton e Barack Obama. Como se esperava, a guerra no Iraque acabou por dominar a discussão, com a ex-primeira-dama a prometer: “Se este presidente não nos tirar da guerra do Iraque, eu fá-lo-ei quando for presidente.”
28 de Abril de 2007 às 00:00
O senador Barack Obama (a beber água) e Hillary Clinton são os mais votados nas sondagens
O senador Barack Obama (a beber água) e Hillary Clinton são os mais votados nas sondagens FOTO: Jim Young, Reuters
“O povo dos EUA decidiu terminar a intervenção militar quando entregou a maioria aos democratas nas legislativas de Novembro passado”, asseverou Hillary, que se absteve no entanto de fazer referência ao facto de ter votado a favor da guerra contra o Iraque. Mas John Edwards, que nas sondagens surge em terceiro lugar, não perdeu a oportunidade de lhe recordar esse facto: “A senadora Clinton que votou a favor desta guerra tem de fazer um exame de consciência e decidir se foi correcto.”
Hillary acabou por reconhecer que foi um erro, mas nesta questão o seu mais directo rival, Barack Obama, conseguiu sair-se melhor, já que desde início condenou a invasão. “A administração Bush tem de se convencer de que não existe saída militar para este conflito”, defendeu. “A solução é política. São os iraquianos que têm de tomar a decisão de avançar para o restabelecimento da paz”, adiantou.
Obama e Clinton, que estiveram lado a lado no debate de 90 minutos, concordaram que os democratas devem manter-se em campanha contra a guerra e que será preciso procurar apoio de republicanos para superar o veto presidencial contra a calendarização da retirada de tropas votada na quinta-feira pelo Congresso. Aliás, na questão iraquiana – e também nas críticas às políticas de George W. Bush – todos os candidatos estiveram em consenso, divergindo noutros temas abordados no debate, como o aborto e a pobreza.
A discussão voltou a aquecer na questão de posse de armas, que se tornou candente desde o massacre na Universidade Técnica de Virginia. Para a maioria dos analistas políticos norte-americanos, neste debate não houve um claro vencedor, embora alguns tenham considerado Hillary Clinton “mais segura”.
RIVAIS SEM ARMAS
A questão de posse de armas animou o debate, com cinco dos oito candidatos democratas a admitirem ter ou ter tido pelo menos uma arma em casa.
“Quantos de vocês têm uma arma em casa?”, questionou o moderador do debate. Duas mãos levantaram-se imediatamente e, segundos depois, três outros fizeram o mesmo. Note-se que nenhum dos três mais bem cotados nas sondagens – Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards – levantou a mão.
Garantido pela Constituição norte-americana, o direito de posse de armas voltou à ribalta após o massacre na Universidade Técnica de Virginia, onde um estudante de origem sul-coreana matou 32 pessoas suicidando-se em seguida. Nenhum candidato democrata se atreve a a reclamar a sua proibição pura e simples.
SAIBA MAIS
8 candidatos participaram neste debate: Hillary Clinton (única mulher), Barack Obama (único negro), John Edwards, Bill Richardson (único hispânico), Dennis Kucinich, Joe Biden, Chris Dodd e Mike Gravel.
50 milhões de dólares foram os fundos conseguidos no primeiro trimestre deste ano pelos dois principais candidatos: Hillary Clinton e Barack Obama.
PRIMÁRIAS
A campanha para a nomeação do candidato de cada partido começa em Janeiro e termina em Junho do ano em que existem eleições presidenciais.
DATA
As presidenciais realizam-se sempre na primeira terça-feira de Novembro.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)