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Correio da Manhã

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Samakuva escapa a atentado

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, escapou sexta-feira a um atentado a tiro durante a sua visita à província de Kwanza Norte, em Angola. Três das balas embateram na parede da sede local da UNITA “a um metro de distância do lugar onde estava sentado” Samakuva, adiantou o general Chitombe, membro do partido, que viajava na comitiva do líder do Galo Negro.
5 de Março de 2007 às 00:00
Samakuva escapa a atentado
Samakuva escapa a atentado
Tudo terá ocorrido quando Samakuva se encontrava nas instalações do seu partido na cidade de Camabatela, situada em frente à sede local do MPLA. De acordo com o general Chitombe, foram disparados dez tiros contra as instalações, sendo que três das balas embateram na parede “a um metro de distância do lugar onde estava sentado” Samakuva. Seguiram-se distúrbios e algumas pessoas ficaram feridas, incluindo um jovem de 14 anos e um elemento da UNITA que está em estado grave.
Na sequência dos acontecimentos, o comando municipal da Polícia Nacional deteve três agentes policiais suspeitos de terem participado no ataque ao líder da UNITA. Apesar de os polícias, colocados junto à sede do MPLA em Camabatela, garantirem não ter visto ninguém a disparar, junto ao sítio onde estavam foram encontrados vários invólucros de munições de Kalashnikov. Segundo o general Chitombe, “foram encontrados invólucros de munições na posição onde estavam três agentes da polícia nacional que faziam o cordão de segurança ao presidente Samakuva. A própria polícia nacional deteve imediatamente esses agentes”, disse.
A UNITA suspeita de uma acção concertada neste ataque, uma vez que o líder do partido do Galo Negro foi impedido de ficar hospedado no hotel onde tinha reservas, ficando obrigado a seguir para a sede local do partido. Segundo a UNITA, supostamente os Serviços de Informações interpelaram o gerente do hotel onde estavam reservados quartos para a comitiva e mandaram-no encerrar o hotel.
“Se insistisse em hospedar o presidente da UNITA, o hotel seria encerrado para sempre e ele próprio corria o risco de desaparecer”, referiu Chitombe. Face a esta ameaça, o gerente do hotel teve de fechar o estabelecimento e esconder-se. O administrador municipal de Camabatela, que estava disponível para receber Samakuva, também foi ameaçado e acabou também por fugir.
PERFIL
Isaías Samakuva nasceu a 8 de Julho de 1946 em Silva Porto, actual Bié. A pedido de missionários, parte para a Missão Evangélica de Camundongo em 1950 onde é professor e posteriormente em 1953 nomeado para o curso de Teologia no seminário do Dondi onde é ordenado pastor evangélico.
Em 1974, depois da revolução do 25 de Abril, é simpatizante activo da UNITA. Em 1992, Samakuva é designado chefe da Delegação da UNITA na Comissão Conjunta junto da Troika e da ONU que vai viabilizar a aplicação do Protocolo de Lusaka.
Em Fevereiro de 2002, o líder da UNITA, Jonas Savimbi, é morto pelas tropas angolanas no interior do país e Isaías Samakuva é designado seu sucessor no Congresso de 2003.
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