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Correio da Manhã

Mundo
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Sampaio defende ONU

O Presidente português, Jorge Sampaio, defendeu ontem perante a Assembleia Geral da ONU o papel crucial da organização na articulação das respostas aos problemas cruciais da Humanidade e na criação de um mundo multipolar.
17 de Setembro de 2005 às 00:00
Sampaio durante a alocução perante a Assembleia Geral das Nações Unidas
Sampaio durante a alocução perante a Assembleia Geral das Nações Unidas FOTO: Matt Campbell/Epa
Definindo as Nações Unidas como “uma referência de esperança da Humanidade”, considerou urgente “reforçar a sua autoridade, legitimidade e relevância” como passo essencial para transformar o século XXI num período de “paz, progresso e respeito pela dignidade de todos os seres humanos”.
Depois de, no âmbito das acções concretas de combate à pobreza, ter destacado a contribuição de Portugal – que até 2010 se compromete a aumentar para 0,51% do PIB o volume da sua ajuda a planos de de-senvolvimento –, Sampaio lembrou que “há uma responsabilidade partilhada entre doadores e receptores de ajuda, pois esta nunca será suficiente se não for correctamente aplicada”.
ETA PERSEGUE ZAPATERO
No dia anterior, o primeiro-ministro espanhol, José Rodriguez Zapatero, viu-se perseguido até Nova Iorque pela polémica sobre as alegadas negociações secretas com a organização terrorista basca ETA. Interrogado sobre se de facto está iminente o fim da organização basca, como afirmaram membros do seu governo, Zapatero considerou que “é necessário ser prudente” e frisou que o caminho para a paz será “longo e difícil”.
Sobre as alegadas negociações foi evasivo, mas admitiu implicitamente a sua existência ao destacar que “o governo trabalha para realizar o desejo da sociedade espanhola”. Mas garantiu: “Se essa eventualidade se verificar, faremos tudo pensando nos interesses gerais, nos princípios democráticos e a partir do Estado de Direito, por ele e para ele”.
SHARON DEFENDE PALESTINIANOS
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, pôs a política israelita do avesso ao fazer um discurso na ONU merecedor dos elogios da esquerda e duramente criticado pela direita, nomeadamente pelo seu próprio partido, o Likud. Depois de ordenar o desmantelamento dos colonatos de Gaza, e ao arrepio da imagem pública a ele associada ao longo dos anos, Sharon defendeu no seu discurso o direito dos palestinianos a um Estado independente. “Serão sempre os nosso vizinhos. Respeitamo-los e não temos pretensões a dominá-los. Merecem a liberdade e um Estado soberano criado no seu próprio país”, afirmou um aparentemente renovado Sharon.
As reacções polarizaram-se, mas desta feita coube à esquerda, e nomeadamente ao ministro do Trabalho, Binyamin Ben-Eliezer, elogiar o líder israelita, salientando que as suas palavras são o reconhecimento da política trabalhista, nomeadamente no reconhecimento da necessidade de fazer concessões para conseguir a paz. Benjamin Netanyahu, rival de Sharon no Likud, considerou, pelo contrário, as suas palavras “uma traição”. Para os palestinianos, Sharon limitou-se a fazer marketing para ocultar o plano de manter Jerusalém e a Cisjordânia ocupadas.
À MARGEM
NUCLEAR
França, Alemanha e Reino Unido esperam ter este sábado a resposta do presidente do Irão, Mah- mud Ahmadinejad, sobre o progrma nuclear do país. Até ao momento, os iranianos têm defendido que o programa se destina a fins pacíficos.
POBREZA
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu ontem na ONU a necessidade de progressos urgentes no combate à pobreza, e prometeu lutar pela abolição das tarifas internacionais ao comércio, uma das razões dessa pobreza.
CHÁVEZ ATACA
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou os EUA de “Estado terrorista”, referindo como provas a guerra no Iraque e a protecção concedida a Posada Carriles, militante anticastrista acusado de derrubar um avião civil cubano.
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