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Samuel Paty era professor de história em França. Foi decapitado após mostrar caricatura de profeta numa aula

Docente foi atacado quando se encontrava a caminho de casa. Agressor terá gritado "Alá é grande" antes de ser abatido pela polícia.
Correio da Manhã 17 de Outubro de 2020 às 22:04
Samuel Paty
Samuel Paty FOTO: Direitos Reservados / Twitter
Samuel Paty, de 47 anos, era professor de história e de geografia na escola em Conflans-Sainte-Honorine, a noroeste da capital francesa, Paris. Perdeu a vida esta sexta-feira à noite depois de ter sido decapitado por um jovem de 18 anos, num crime que está a ser investigado como ataque terrorista.

De acordo com o jornal The Guardian, Paty teria mostrado aos seus jovens alunos, no início do mês, uma caricatura do jornal satírico Charlie Hebdo durante uma aula de educação cívica sobre a liberdade de expressão.

Segundo o mesmo jornal, o pai de uma aluna de 13 anos convocou os restantes encarregados de educação numa ação coletiva contra o professor, depois deste ter mostrado uma “fotografia de um homem nu”, alegando tratar-se do “profeta muçulmano”. A escola organizou de seguida um encontro entre o director, o professor em causa e um representante das autoridades de educação. Ao deslocar-se às autoridades, Samuel afirmou que a aluna em causa não teria estado na aula em que a caricatura teria sido mostrada.

De acordo com o promotor antiterrorista francês, Jean-François Ricard, "o professor contestou firmemente e pediu aos alunos muçulmanos que se identificassem [com a caricatura] que deixassem a classe".

Esta sexta-feira, enquanto fazia o caminho entre a escola e a sua casa, o docente foi atacado por um homem, acabando por perder a vida.

Ricard revelou que o agressor, que terá gritado "Alá é grande" no momento em que foi abatido pela polícia, publicou ainda uma fotografia “macabra” da vítima na rede social Twitter. A conta foi depois encerrada.

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou o local do crime na passada sexta-feira à noite. ”Este foi um ataque cobarde a um dos nossos compatriotas. Foi vítima de um típico ataque terrorista”, afirmou o presidente em declarações aos jornalistas.
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