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Correio da Manhã

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São Paulo inaugura abrigo para refugiados no Haiti

Em 2013, chegaram mais de 2600 haitianos à cidade de São Paulo.
6 de Maio de 2014 às 20:15
Haitianos entram no país através da fronteira com o Peru e com a Bolívia
Haitianos entram no país através da fronteira com o Peru e com a Bolívia FOTO: Getty Images

Um abrigo para receber refugiados do Haiti, que fogem da violência e da fome no seu país, foi inaugurado nesta terça-feira, dia 6 de maio, em São Paulo. O abrigo vai funcionar num velho casarão da região do Glicério, no centro da capital paulista, que foi transformado com carácter de emergência pela Câmara Municipal.

O novo espaço, com capacidade para abrigar 120 haitianos, fica a menos de 200 metros da Igreja Nossa Senhora da Paz, onde até agora funcionava o maior centro de acolhimento a refugiados do Haiti, gerido pela Igreja Católica. Com mais de 200 refugiados já acolhidos, o abrigo da igreja não tem capacidade para receber mais pessoas, o que fez muitos cidadãos do Haiti aglomerarem-se na rua, sem terem para onde ir.

Até agora, a edilidade paulistana ajudava com a doação de colchões, roupas e alimentação, e ainda com a aquisição de documentos e procura de trabalho. Os haitianos que estão na Igreja Nossa Senhora da Paz e em outros locais vão continuar lá e o novo abrigo receberá, preferencialmente, refugiados que cheguem a partir de agora.

Êxodo sem fim

Milhares de habitantes do Haiti chegam ao Brasil todos os anos em busca de uma vida melhor desde 2010, quando um dos maiores terramotos da história praticamente devastou o país. Viajando pelos próprios meios ou com o auxílio de quadrilhas de “Coyotes”, milhares de haitianos entram no Brasil, na grande maioria dos casos, pelo estado do Acre, através da fronteira Peru e Bolívia.

Até há alguns meses, o Acre recebia os imigrantes do Haiti e tentava abrigá-los até que seguissem para outros estados, mas o fluxo de pessoas que chegam diariamente à região tornou-se num enorme problema. Sem ter como abrigar e alimentar tanta gente, o governo do Acre começou a alugar autocarros e a pagar a ida desses refugiados para a capital paulista, transferindo o problema.

Só em 2013, mais de 2600 haitianos foram “despejados” em São Paulo sem qualquer aviso. E esse fluxo tornou-se ainda mais intenso nas últimas semanas, o que obrigou o governo paulista a tomar medidas de emergência, entre elas a criação do abrigo.

O Brasil comanda há vários anos a força de paz das Nações Unidas que garante a ordem no Haiti desde o fim da guerra civil. Devido aos estreitos laços com esse país, de maioria africana, o Brasil dá aos refugiados haitianos um tratamento diferenciado, concedendo-lhes quase automaticamente à chegada um visto humanitário que lhes dá autorização para residirem e trabalharem legalmente em território brasileiro e ainda o acesso a todos os serviços públicos, nomeadamente de saúde.

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