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Correio da Manhã

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Sarkozy arrisca 5 anos de cadeia

Ex-presidente francês vai depor sobre caso em que é suspeito de tráfico de influências e violação de segredo de justiça.
2 de Julho de 2014 às 07:43
Nicolas Sarkozy foi interrogado na sede da Polícia Anticorrupção de Nanterre, perto de Paris
Nicolas Sarkozy foi interrogado na sede da Polícia Anticorrupção de Nanterre, perto de Paris FOTO: Gonzalo Fuentes/Reuters

Nicolas Sarkozy foi detido preventivamente para interrogatório por suspeita de tráfico de influências e violação do segredo de justiça. O ex-presidente francês chegou à direção central da polícia de Nanterre pelas 08h00 de ontem e pode ficar até 48 horas em regime de detenção provisória. Esta é a primeira vez na história da V República francesa que a medida é aplicada a um antigo chefe de Estado.

O caso agora em investigação já levou à detenção, na segunda--feira, do advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e do juiz Gilbert Azibert, um dos mais antigos no Supremo Tribunal de Justiça, suspeitos de terem criado uma rede de informadores ao serviço do antigo presidente. Um outro magistrado, Patrick Sassoust, foi também chamado a depor.

A polícia francesa tenta agora apurar se Sarkozy, de 59 anos, prometeu um alto cargo no Mónaco ao juiz Azibert em troca de informações sobre os processos que pendiam sobre si. Suspeita--se também que o antigo presidente francês foi avisado de que tinha o telefone sob escuta. Segundo a lei francesa, incorre numa pena de prisão até cinco anos e a uma multa de 500 mil euros.

As suspeitas estão relacionadas com os processos relativos ao financiamento ilegal da sua campanha presidencial de 2007, alegadamente custeada em parte pelo ex-ditador líbio Muammar Kadhafi e pela herdeira do império L'Oréal, Liliane Bettencourt. Os juízes que investigam o caso acreditam que Sarkozy terá sido avisado de que tinha o telemóvel sob escuta, porque começou a usar um segundo número, em nome de Paul Bismuth, para falar com Herzog, detentor de um outro telemóvel sob nome falso. Sobre Sarkozy pesa ainda a suspeita de ter usado a rede para averiguar se os seus diários oficiais, apreendidos durante a investigação do caso Bettencourt, seriam devolvidos. Apesar de o caso não ter seguido para julgamento, os diários ficaram retidos.

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