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Sarkozy pede aos franceses que não cedam à vingança

O Presidente de França, Nicolas Sarkozy, pediu nesta quarta-feira aos franceses que não cedam à vingança após ter sido identificado e detido (de acordo com o canla francês BFM TV) o alegado autor dos atentados de Toulouse e que demonstrem que "o terrorismo não fracturará a comunidade nacional". O presidente francês está no local onde se montou o cerco policial ao suspeito do tiroteio, segundo a France Press.


21 de Março de 2012 às 13:58

"Acabo de me reunir com o conjunto dos representantes da comunidade judaica e do culto muçulmano (...) Quis juntá-los para mostrar que o terrorismo não conseguirá fracturar a nossa comunidade nacional", disse o Presidente num breve discurso na sede da presidência.

O chefe de Estado pediu também a todos os cidadãos que se unam e que não associem o ocorrido a crenças religiosas. 

"Disse-lhes [aos representantes das comunidades judaica e muçulmana] e digo à comunidade nacional, à nação inteira: devemos ficar juntos, não devemos ceder nem à amálgama nem à vingança", acrescentou. 

Perante um acontecimento como o de Toulouse, declarou ainda Sarkozy, "França só pode ser grande na união nacional". "Devemos isso às vítimas friamente assassinadas. Devemos isso ao nosso país", sublinhou. 

O chefe de Estado adiantou que se deslocará a Montauban (50 quilómetros a norte de Toulouse) para uma cerimónia de homenagem nacional aos três militares assassinados a 11 e 15 de Março pelo homicida, e irá também a Toulouse visitar as vítimas que ficaram feridas: um paraquedista que ficou com uma lesão na medula espinal após ter sido ferido a 15 de Março e um adolescente judeu de 17 anos ferido na cabeça no ataque de segunda-feira numa escola judaica. 

Dois polícias foram também feridos na última noite por balas disparadas pelo suspeito, cercado num prédio de Toulouse. Sarkozy felicitou ainda a polícia "pela rapidez do inquérito" e pela "mobilização excepcional das forças de segurança".

As autoridades francesas identificaram o suspeito dos vários ataques de Toulouse como Mohammed Merah, um cidadão francês de 24 anos, de origem argelina, que se intitulou como membro da Al-Qaeda e afirmou ter agido para vingar a morte de crianças palestinianas. 

O mesmo homem é suspeito de ter matado três soldados, três crianças judaicas e um rabino em três ataques diferentes. Já nesta quarta-feira, o líder da comunidade muçulmana em França, Mohammed Moussaoui, afirmou que o suspeito agiu contra o Islão. 

"Estes actos estão em contradição total com as fundações desta religião", disse o presidente do Conselho Muçulmano Francês. "Os muçulmanos franceses estão ofendidos pela sua reivindicação de que pertence a esta religião", acrescentou. 

Também as missões diplomáticas palestinianas no país condenaram veementemente o ataque de Toulouse: "Todos os crimes racistas são ataques à humanidade em geral e à república em particular."

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