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Correio da Manhã

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Sarkozy recusa Turquia na União Europeia

O candidato presidencial da direita francesa, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem, no discurso de investidura pelo seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP), que a Turquia “não tem lugar” na União Europeia.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
“Nem todos os países têm vocação para integrar a Europa, a começar pela Turquia”, afirmou Sarkozy, perante um auditório de mais de 60 mil militantes reunidos em congresso, em Versalhes. “Alargar a Europa sem limites cria o risco de destruir a união política europeia, coisa que não aceito”, concluiu.
Polémico, Sarkozy criou a imagem de defensor de políticas musculadas de combate ao crime, de linha nacionalista e algo xenófoba, sendo acusado por muitos de ter desencadeado os violentos motins que incendiaram a França em 2005. Esse é, segundo os analistas, o seu principal ponto fraco. Daí que, apesar de 98% dos militantes da UMP terem apoiado a sua candidatura (a única dentro do partido, refira-se), uma sondagem ontem publicada revela que 51% dos franceses estão preocupados com uma vitória de Sarkozy nas presidenciais de Abril. Os estudos de opinião revelam, aliás, que será a socialista Ségolène Royal a chegar ao Eliseu.
Consciente das polémicas que o rodeiam, o líder da UMP (acusado também de dividir o partido) fez ontem, durante 80 minutos, um discurso conciliador, onde o apelo à unidade – da UMP e dos franceses – foi a nota dominante. Não faltou mesmo a ‘corte’ ao presidente Jacques Chirac, o seu mais acérrimo crítico na UMP, nas semanas anteriores à ‘entronização’ como candidato oficial. “Quero manifestar o meu reconhecimento a Chirac, que em 1975, em Nice, me deu a oportunidade de discursar pela primeira vez ”, afirmou Sarkozy.
Aos franceses, de todas as latitudes políticas e de todas as classes sociais, Sarkozy lançou também o ‘anzol’, elogiando os trabalhadores, as mulheres, as minorias étnicas, os jovens. “Mudei”, garantiu, “porque no instante em que fui designado por vós, deixei de ser o homem de um só partido”.
PROPOSTAS
ECONOMIA/EMPREGO
O programa do candidato da UMP prevê medidas destinadas a “valorizar o trabalho”. Propõe, nomeadamente, a eliminação dos impostos sobre as horas extraordinárias e cortes na função pública, onde o mérito deve ser promovido.
LEI E ORDEM
No combate ao crime, Sarkozy defende, como fez enquanto ministro do Interior, maior dureza com a criminalidade juvenil e medidas mais eficazes contra a imigração ilegal.
SEGURANÇA SOCIAL
Embora conservador, Sarkozy quer legalizar as “uniões civis” para homossexuais e equiparar os seus direitos aos dos casais heterossexuais. Promete ainda fornecer abrigo a todos os desalojados num prazo de dois anos.
TEMAS EUROPEUS
A União Europeia não deve alargar-se sem limite. As negociações para a adesão da Turquia devem ficar-se pela criação de parcerias, evitando-se a adesão plena à UE.
INSTITUIÇÕES
O presidente da República deve estar limitado a um máximo de dois mandatos sucessivos. O governo, por outro lado, de ter um máximo de 15 ministros e o Parlamento deve ter poderes para emendar propostas de lei.
EDUCAÇÃO/CULTURA
Mais autonomia para as escolas e universidades e acesso livre aos museus são duas das principais propostas para promover a educação e a cultura.
CANDIDATURAS
François Bayrou
Pró-europeísta convicto, Bayrou apresenta-se como o mais importante candidato depois de Royal e Sarkozy. Aposta, aliás, no cansaço dos eleitores com a batalha entre aqueles candidatos.
Arlette Laguiller
É considerada a favorita dos ‘trotskistas’ franceses. Ex-bancária, Laguiller é uma repetente: candidatou-se em 1974 e ajudou a ‘afundar’ Lionel Jospin em 2002 roubando-lhe 5,7% dos votos.
M. George BuffetEx-ministra dos Assuntos Juvenis, Buffet chefia actualmente o Partido Comunista Francês, que tem vindo a cair em desgraça entre o eleitorado, sobretudo desde o fim da Guerra Fria.
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