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Secretário-geral dos liberais alemães demite-se

Christian Lindner, secretário-geral dos liberais alemães, Partido Democrático Liberal (FDP, sigla em inglês), demitiu-se esta quarta-feira, na sequência de críticas à forma como conduziu um referendo interno sobre a política europeia deste partido do governo de Angela Merkel, anunciou fonte partidária.


14 de Dezembro de 2011 às 10:28
Christian Lindner foi alvo de duras críticas pela forma como organizou o referendo interno requerido pelos eurocépticos do FDP para tentar impedir que o partido aprove o futuro mecanismo de estabilidade europeu
Christian Lindner foi alvo de duras críticas pela forma como organizou o referendo interno requerido pelos eurocépticos do FDP para tentar impedir que o partido aprove o futuro mecanismo de estabilidade europeu FOTO: Reuters

Christian Lindner, número dois na hierarquia liberal, apresentou a demissão ao presidente do partido, o vice-chanceler e ministro da Economia Philipp Roesler, confirmou o gabinete de imprensa do partido, em Berlim.  

Numa declaração, publicada pela agência noticiosa alemã DPA, Lindner afirmou que "há um momento em que se tem de deixar o lugar, para permitir uma nova dinâmica".  

O político liberal acrescentou que, na sua opinião, "chegou o momento" e que os últimos acontecimentos reforçaram essa convicção.  

Lindner foi alvo de duras críticas pela forma como organizou o referendo interno requerido pelos eurocépticos do FDP para tentar impedir que o partido aprove o futuro mecanismo de estabilidade europeu (ESM), que deverá substituir, em meados de 2012, o actual fundo de resgate (FEEF).  

Tal como Roesler, Lindner deu o referendo por fracassado já no fim-de-semana, apesar de a consulta ter terminado apenas na terça-feira, o que motivou fortes protestos dos eurocépticos e da sua principal figura, o deputado Frank Schaeffler.  

Lindner foi mais longe e afirmou a um jornal que Schaeffler "é uma espécie de (David) Cameron do FDP", numa alusão à recusa do primeiro-ministro britânico de aceitar um novo tratado europeu, no último Conselho Europeu, em Bruxelas. 

O resultado do referendo interno sobre o "sim" ou "não" dos militantes do FDP será anunciado na sexta-feira, mas a direcção do partido já fez saber que não foi alcançado o necessário quórum de 21 500 votos (um terço dos militantes inscritos).  

"As pessoas, que no interior do FDP, querem mudar as decisões sobre as ajudas europeias não terão êxito", disse Roesler, numa entrevista ao jornal Passauer Neue Presse, divulgada esta quarta-feira.  

O vice-chanceler garantiu que, enquanto for presidente dos liberais, não deixará que o partido desloque o seu eixo pró-europeu.  

Roesler prometeu examinar as queixas dos eurocépticos sobre a organização do referendo interno, que veio enfraquecer ainda mais os liberais nas sondagens, e ameaça mesmo provocar uma crise na coligação de centro-direita dirigida por Merkel.  

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